Falta de maior conscientização da população dificulta destino correto do lixo

Em: 6 de junho de 2010
A destinação adequada do lixo sempre foi um grande desafio desde os tempos mais remotos em Manaus, principalmente o de origem doméstica, que exige um tratamento contínuo e diferenciado para evitar a contaminação dos lençóis freáticos do subsolo da capital
A destinação adequada do lixo sempre foi um grande desafio desde os tempos mais remotos em Manaus, principalmente o de origem doméstica, que exige um tratamento contínuo e diferenciado para evitar a contaminação dos lençóis freáticos do subsolo da capital

A destinação adequada do lixo sempre foi um grande desafio desde os tempos mais remotos em Manaus, principalmente o de origem doméstica, que exige um tratamento contínuo e diferenciado para evitar a contaminação dos lençóis freáticos do subsolo da capital. Mesmo com os apelos oficiais junto à população em geral para dar um destino correto aos resíduos orgânicos, entre outros dejetos, a falta de uma maior conscientização agrava o problema.
Com o inchaço populacional de Manaus (hoje a capital tem pelo menos 2,6 milhões de habitantes), recolher diariamente centenas de toneladas de lixo sai caro aos cofres públicos, exigindo cada vez mais investimentos. Para amenizar a situação, a estratégia das autoridades do setor é partir maciçamente para uma campanha de educação ambiental com foco em todos os segmentos da sociedade, como fazem os grandes centros urbanos do País e do exterior.
“Realmente, a questão é de ordem cultural e de educação. Nem todas as pessoas seguem à risca as orientações sobre como acomodar adequadamente o lixo”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra. Outra solução seria a coleta seletiva dos resíduos, que começaria a partir das próprias residências.
Mas para o sucesso dessa campanha, a população precisaria estar mais conscientizada sobre a importância da seleção dos resíduos e, com isso, facilitar a destinação correta pelos órgãos de limpeza pública. “Adotamos medidas enérgicas, como a aplicação de multas pesadas, para coibir as irregularidades que ainda são muitas em Manaus”, afirma o secretário Marcelo Dutra.

Prefeitura gasta R$ 8 mi mensais com coleta

Até o ano passado, a produção diária de lixo da população de Manaus era de pelo menos 4 mil toneladas. E as empresas licitadas para fazer a coleta cobravam cerca de R$ 60 para cada tonelada recolhida. Os custos mensais da Prefeitura Municipal de Manaus só com o serviço passavam de R$ 8 milhões mensais.
Este ano, as estimativas é que a produção de lixo na capital tenha aumentado aproximadamente 20% e a alta já preocupa a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). E os gastos para a coleta aumentaram também proporcionalmente. Se os resíduos continuarem crescendo, não haverá locais adequados para depositá-los, segundo alerta o órgão.
De acordo com o secretário Marcelo Dutra, a Prefeitura desenvolve estudos para a revitalização do aterro sanitário, nas proximidades da Ponte da Bolívia e do Tarumã, na Zona Oeste da capital. O objetivo é diminuir os possíveis impactos ambientais em função do chorume (formado pela decomposição de matéria orgânica) que contamina o solo e as águas.
O problema é que o chorume resultante do processo de aterro é lançado diretamente nos igarapés, contaminando o meio ambiente. Desde que bem orientada, outra medida seria sugerir à população que utilizasse (sustentavelmente) o lixo orgânico (domiciliar) como adubo, que pode ser benéfico para o solo. Hoje, por exemplo, os resíduos das feiras da banana, Manaus Moderna, Ceasa e de poda de árvores são aproveitados como nutrientes para hortas e praças do município.
Nos aterros controlados o lixo é coberto com uma camada de terra para minimizar os impactos ambientais, enquanto os resíduos especiais recebem tratamento técnico para serem confinados. Mas essa prática nem sempre é seguida satisfatoriamente.
Com apoio técnico do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulslp), a reformulação do aterro faz parte do Plano Diretor de Resíduos Sólidos (PDRS-Manaus) que é custeado pelo Governo do Amazonas, dentro do campo de ação do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).
O PDRS propõe mudanças importantes na legislação e administração de resíduos sólidos e no papel do contribuinte como agente responsável pelo resíduo que produz. Aumentando significativamente o valor da taxa de lixo, a proposta foi motivo de muita polêmica na Câmara Municipal de Manaus e também nos principais segmentos da população, que reagiram energicamente contra o projeto.
As discussões ficaram acirradas porque o PDRS especifica que as taxas a serem cobradas dos contribuintes levarão em consideração o peso ou volume, a renda da população e características dos resíduos. Portanto, vai pagar mais quem “produzir mais lixo e tiver mais dinheiro”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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