Farinha sobe 42,59% em dois meses

Em: 8 de março de 2013
Vilão da cesta básica, produto regional mostra dificuldade no custo de vida para consumidor de baixa renda
Vilão da cesta básica, produto regional mostra dificuldade no custo de vida para consumidor de baixa renda

A exemplo do que foi verificado em janeiro, no mês passado a alta de 16,31% no preço da farinha de mandioca foi novamente a principal responsável pela elevação no custo total da cesta básica para os consumidores de Manaus.
Segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em fevereiro o preço do alimento teve um reajuste de 16,31% em relação ao mês anterior, o que contribuiu com a alta de 4,13% verificado na cesta básica para o mesmo período.
De acordo com a Supervisora Técnica do Escritório Regional do Dieese no Amazonas, Alessandra Cadamuro, esta alta aconteceu em todas as capitais pesquisadas das regiões Norte e Nordeste. No entanto, este aumento foi mais sentido no Norte do país.
“O maior consumo per capita por ano verificado no país é na região Norte, 23,5 kg/ano, seguido da região nordeste, 9,67kg/ano/por pessoa. Portanto esse aumento tem um peso significativo no poder de compra dos trabalhadores manauara”, disse. Ela explica ainda que, só na capital amazonense, a farinha acumulou uma alta de 172,97% nos últimos 12 meses. Já nos dois primeiros meses deste ano, a alta chega a 42,59%.
Também contribuíram com o aumento da cesta básica amazonense os preços do feijão (+8,91%), do tomate (+8,76%), da banana (+3,01%), da manteiga (+2,32%), do pão (+2,07%), do arroz (+1,23%) e da carne (+0,12%). O açúcar (-3,43%) foi o produto que apresentou a maior redução no mês seguido do óleo (-2,36%), do leite (-1,07%) e do café (-0,23%).

Cesta Básica

Após alta de 4,13% em relação a janeiro, no segundo mês do ano a cesta básica, composta por 12 itens, custou R$ 314,18 para os consumidores manauenses, segundo o Dieese. Este valor coloca a capital amazonense na quarta posição entre as capitais com as cestas mais caras, atrás apenas de São Paulo (R$ 326,59), Porto Alegre (R$ 318,16) e Florianópolis (R$ 314,46, apenas R$ 0,28 a mais que o verificado em Manaus).
Nos dois primeiros meses de 2013, as 18 capitais apresentaram alta nos preços da cesta básica. As maiores elevações situaram-se em Salvador (18,90%), Natal (18,20%) e Aracaju (16,83%). Os menores aumentos foram verificados em Belém (5,57%), São Paulo (7,11%) e Vitória (7,74%).

“Muro baixo”

Para o economista Joacy Botelho, os números apresentados pelo Dieese correspondem à realidade encontrada pelos consumidores nas prateleiras dos supermercados: “É pesquisa”, justificou o economista. Ao tentar explicar os motivos da subida no preço da farinha ele fez duras críticas ao Governo do Estado:
“O fato é que o interior está alagado e não é só a farinha que está faltando. Está faltando banana e uma série de outros produtos que fazem parte da alimentação do amazonense. Mas não é só isso não. Você tem que perguntar do (governador) Omar Aziz, ou do (secretário da Sefaz) Afonso Lobo para saber o porquê desse aumento. Pode perguntar. O Governo do Estado é que tem que responder essas perguntas. Eles tiraram o incentivo da cesta básica e existe uma especulação muito grande aqui em Manaus. O manauara está esquecido. Não existe PROCON, não existe nada. O Amazonas é terra de muro baixo, não tem delegacia que dê jeito”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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