Farofa vira prato principal

Em: 1 de dezembro de 2015
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Quem não gosta de farinha, que atire o primeiro bago (se a farinha for ‘baguda’, claro). Brincadeiras à parte, é certo que o gosto pela farinha é uma característica do amazônida. Das barrancas dos rios às residências nas cidades, passando pelos restaurantes, se o alimento for, principalmente, peixe, a farinha é o acompanhamento. Como diziam nossas avós, “não se come peixe sem farinha”.
Alimento milenar de nossos antepassados indígenas, a farinha de mandioca (a qual nos referimos nesta matéria), é preparada a partir dessa raiz, um tubérculo, e passa por um demorado processo de preparação desde a sua colheita até chegar às mesas das residências e restaurantes.
Descascado o tubérculo, ele é lavado, secado e ralado. Depois de ralado, é secado novamente e depois passado numa peneira. É exatamente a parte que não passa pela peneira que acaba por se transformar na farinha ‘baguda’, nada admirada pelo consumidor final, daí o sucesso da ‘ovinha’, aquela que foi cuidadosamente peneirada. Após esse processo a farinha é colocada para torrar num forno. É a parte mais complexa de toda a trabalheira, pois se a pessoa não souber o ponto certo da torragem, pode perder a fornada. Ao final desse processo, a farinha está pronta e só quem já a provou nesse ponto é sabedor ser ela muito mais saborosa ainda quentinha e torradinha.
Mas existem mãos capazes de fazer a farinha ser saborosa em qualquer momento, como as mãos de Elma Magalhães. Elma era proprietária de um restaurante no Distrito Industrial, e mesmo antes da atual crise econômica do país, seu restaurante teve uma queda acentuada no movimento na segunda metade do ano passado. “Não sei o que houve, mas depois da Copa do Mundo o movimento caiu tanto que eu não tive mais condições de manter o restaurante”, lamentou.
Sem o seu “ganha-pão”, Elma pôs os neurônios pra funcionar e lembrou que o que mais os seus clientes gostavam no restaurante era de sua farofa. Ela, que sempre trabalhou com comida -já tivera um café da manhã -voltaria a ganhar dinheiro com comida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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