O ano não começou nada bem para o PIM, confirmando pesquisas anteriores ligadas à atividade industrial. Apenas quatro dos 22 principais segmentos que formam o parque fabril apresentaram crescimento no início de 2012, de acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) divulgados ontem.
O resultado foi um faturamento de US$ 2,76 bilhões em janeiro, queda de 2,51% na comparação com o mesmo mês de 2011. No mesmo período do ano passado, todos os segmentos apresentaram expansão no faturamento de pelo menos 3,8%.
A média mensal de investimentos também caiu 3,24%, passando de US$ 10,77 bilhões para US$ 10,42 bilhões
Apesar do segmento eletroeletrônico ter crescido 12,20% com faturamento de US$ 1,10 bilhão, os outros dois principais subsetores -o polo de duas rodas (US$ 691,46 milhões) e o polo químico (US$ 366,33 milhões)- apresentaram queda de 1,01% e 10,47%, respectivamente. E eles não foram os únicos segmentos a ver o faturamento cair.
Mais 16 setores registraram retração. Dentre eles, o setor metalúrgico viu o seu faturamento minguar 33,49% seguido do mecânico com a segunda maior redução (-26,48%).
Atividades menores também não anotaram bons resultados. A indústria de beneficiamento da borracha, por exemplo, que em janeiro de 2011, havia expandido seu faturamento em 720,34% frente ao mesmo período de 2010, sofreu redução de 48,81% em janeiro deste ano.
Além do polo eletroeletrônico, desempenhos positivos foram conquistados apenas pelos setores de vestuário e calçado (+141,9%), editorial e gráfico (+18,23%) e de papel e papelão (+ 6,88%).
Para o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix, o PIM sofreu os reflexos do que ele chamou de ‘stand by’ da economia mundial.
“A sazonalidade do período já traz consigo um desempenho menos favorável para a indústria. Mas a queda no faturamento também pode ser justificada pela crise mundial somada ao alto estoque de dezembro do ano passado que precisou ser vendido antes que a produção acelerasse novamente’, explicou.
O analista econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, ressalta ainda uma diminuição do consumo, principalmente, no Sudeste, principal destino dos produtos da Zona Franca de Manaus.
Mão de obra
Os indicadores também apontaram para queda na ocupação da mão de obra do Distrito Industrial em janeiro. O registro da Suframa foi de 119.612 empregos, sendo 112.193 efetivos, 2.681 temporários e 4.296 terceirizados. Ao todo, a retração observada foi de -1,85% em relação à mão de obra média do ano passado. O saldo foi negativo com 757 desligamentos.
O superintendente da autarquia, Thomaz Nogueira, justificou, em nota, as demissões no primeiro mês do ano como naturais para o período. “Ainda assim, a Suframa está acompanhando atentamente o que ocorre no PIM, e constantemente estuda medidas para fortalecer os segmentos do polo, em especial aqueles que apresentarem maior necessidade”, garantiu.
O polo eletroeletrônico seguiu como o subsetor que mais empregou, com 50.481 postos. Depois apareceram os setores de duas rodas (21.677 postos) e termoplástico (11.183 postos).
“Esperamos que a situação não se agrave, mas apenas pelo resultado de um mês ainda não é possível avaliar a tendência do comportamento da indústria no resto do ano”, ponderou Gilmar Freitas.
Produção
Apesar do recuo, garantiram um bom faturamento, a produção de 180,59 milhões de motocicletas, 863,20 milhões de televisores LCD e a fabricação de 1,72 bilhão de telefones celulares. Os produtos geraram ganhos de US$563,3 milhões, US$ 438,44 milhões e US$ 130,01 milhões, respectivamente.
A produção do telejogo também teve destaque, impulsionado pela fabricação do console Xbox, da Microsoft. Foram 16.299 unidades de telejogos produzidas em janeiro, o que gerou US$ 3,77 milhões. A fabricação de 26,8 mil televisores de plasma garantiu a geração de US$ 16,51 milhões.







