FED interrompe cortes e mantém taxa de juros

Em: 25 de junho de 2008
O mercado de trabalho também traz pouco alento: foram eliminados 49 mil postos de trabalho no país em maio, e a taxa de desemprego chegou a 5,5%, contra 5% em abril .
O mercado de trabalho também traz pouco alento: foram eliminados 49 mil postos de trabalho no país em maio, e a taxa de desemprego chegou a 5,5%, contra 5% em abril .

Após sete cortes consecutivos (entre setembro do ano passado e abril deste ano), o FED (BC dos EUA) manteve ontem sua taxa de juros em 2% ao ano. O banco vem afirmando nas últimas semanas que irá combater as pressões inflacionárias na economia americana -o que foi entendido pelos analistas como sinal de alta da taxa neste ano-, mas os sinais de fraqueza podem dificultar a elevação dos juros. Dos integrantes do FED, nove votaram pela manutenção e um pela elevação da taxa. “Condições restritas de crédito, a contínua contração do mercado imobiliário e a alta nos preços da energia devem pesar no crescimento econômico nos próximos trimestres”, avalia o FED.
A inflação no país tem mostrado sinais de alta. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em in-glês) subiu 0,6% em maio, maior variação entre um mês e o mês anterior desde novembro de 2007 (em abril o índice havia registrado alta de 0,2%). O núcleo do índice (que exclui os preços de alimentos e energia) nos últimos 12 meses, no entanto, acumula alta de 2,3%, acima dos 2% considerados adequados pelo FED.
Os preços dos combustíveis (em particular a gasolina) e os dos alimentos afetaram o resultado: o preço médio do galão (3,785 litros) de gasolina no país passou de US$ 4; os preços na categoria energia subiram 4,4% e nos últimos 12 meses acumulam alta de 17,4%. Já os preços dos alimentos registraram alta de 0,3% no mês de maio e 5,1% em 12 meses.

PPI registra variação de 1,4% em maio

No atacado, os preços não apresentaram um cenário melhor. O PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês) teve variação de 1,4% em maio, ante 0,2% em abril. O preço médio da gasolina teve incremento de 9,3% em maio, contra uma queda de 4,6% em abril.
O indicador geral dos preços de energia mostrou alta de 4,9%, maior desde novembro. Os alimentos subiram 0,8%, maior alta desde março.
Diante da pressão da inflação, o presidente do Fed, Ben Bernanke, já disse que o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) “resistirá com firmeza a um agravamento das expectativas da inflação a longo prazo, já que isto poderia desestabilizar o crescimento e alimentar a própria inflação”.
Os sinais de fraqueza na economia, no entanto, vêm se acumulando. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu apenas 0,9% no primeiro trimestre (dado revisado; antes da revisão, a expansão estimada era de 0,6%, mesma do quarto trimestre de 2007) deste ano, e a expectativa para o segundo trimestre é de um novo dado fraco.
O mercado de trabalho também traz pouco alento: foram eliminados 49 mil postos de trabalho no país em maio, e a taxa de desemprego chegou a 5,5%, contra 5% em abril -variação entre um mês e outro não vista desde 1986.
A produção industrial caiu 0,2% em maio, ante um declínio de 0,7%, e a utilização da capacidade instalada caiu, de 79,6% em abril para 79,4% em maio, abaixo das projeções dos analistas (79,7%). Um nível de capacidade instalada muito elevado é um ‘sinal amarelo’ para pressões inflacionárias.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que a economia americana crescerá 1% neste ano, após a revisão do desempenho do PIB no primeiro trimestre do ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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