Pouco mais de uma semana depois de realizar o primeiro corte de juros de 2008 -fora de um encontro regular, o que não ocorria desde os atentados contra o World Trade Center, em setembro de 2001-, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) reduziu sua taxa mais uma vez. O corte foi de 0,50 ponto percentual, e a taxa recuou para 3% ao ano.
Mesmo alegando ainda ter preocupações com pressões inflacionárias, o banco tem realizado os cortes em suas últimas reuniões como forma de estimular consumidores do país a continuar comprando, e empresas a continuar tomando empréstimos e financiando investimentos. Tudo para evitar uma desaceleração ainda maior da economia norte-americana -e uma eventual recessão.
Como mostrou mais cedo o Departamento de Comércio, dos 4,9% de crescimento no terceiro trimestre do ano passado, a economia americana recuou para uma expansão de apenas 0,6%. Os indicadores econômicos do país já vinham, de certo modo, prenunciando o dado divulgado ontem: um dos mais significativos foi a criação de 18 mil empregos no mês passado (número mais baixo desde agosto de 2003). A taxa de desemprego, por sua vez, subiu de 4,7% para 5% (maior desde novembro de 2005).
Outro indicador que foi causa de preocupação sobre o desempenho da economia americana foi a queda de 0,4% nas vendas no varejo no mês passado -principalmente considerando-se que em novembro havia sido registrada uma alta de 1% (que, por sua vez, também é menor que o 1,2% visto na estimativa inicial). Dados sobre consumo são acompanhados pelo Fed e por analistas e investidores com cuidado, já que ele responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos Estados Unidos.
O presidente George W. Bush, em seu discurso sobre o Estado da União, pronunciado na segunda-feira, reconheceu que a economia dos EUA passa atualmente por um “momento de incerteza”, que tem em sua raiz a crise do mercado imobiliário americano. Após o período de 2001 a 2005, em que os preços dos imóveis residenciais no país tiveram um forte aumento, as altas de juros efetuadas pelo Fed até então (enquanto estava em sua presidência Alan Greenspan, que se aposentou em 2006) começaram a afetar as vendas de casas e os pagamentos de hipotecas.
A inadimplência nas hipotecas do segmento chamado de “subprime” (que reúne clientes com histórico de problemas com crédito) finalmente chegou a níveis críticos e deu origem à atual crise nos mercados de crédito de um modo geral.
A fim de impedir que essa crise leve a economia dos EUA a uma recessão, o governo e o Fed vêm buscando uma solução conjunta. O Fed através dos cortes de sua taxa -no ano passado foram três cortes consecutivos, em setembro (0,50 ponto percentual), outubro (0,25 ponto percentual) e dezembro (0,25 ponto percentual)-, e o governo com um pacote de alívio fiscal.
A Câmara de Representantes dos EUA (equivalente à Câmara dos Deputados) aprovou ontem o pacote, de US$ 146 bilhões, proposto por Bush. A medida ainda tem de obter aprovação no Senado (que, no entanto, tem uma agenda própria).







