Feira cede espaço para tecnologia

Em: 24 de maio de 2013
“Ciência na Feira” levou inovações regionais, como a ‘caneta pensante’ e experimentos diversos para a maior feira local
“Ciência na Feira” levou inovações regionais, como a ‘caneta pensante’ e experimentos diversos para a maior feira local

Levar a ciência para a feira livre foi uma iniciativa da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) para aproximar a população de pesquisas desenvolvidas na região. A ação que durou toda a semana (e foi realizada na feira coberta do bairro Alvorada 1, zona Oeste de Manaus) integra a comemoração pelos 10 anos de criação da Fundação.
Segundo a diretora-presidente da Fapeam, Maria Olívia Simão, o objetivo é transformar o “Ciência na Feira” em um evento trimestral. As duas próximas edições de 2013 já estão confirmadas. Em agosto, os experimentos serão apresentados na Feira da Compensa e em novembro, na Feira da Panair. “Quando as pessoas têm chance de conhecer melhor os avanços tecnológicos alcançados, elas começam a compreender os benefícios da ciência para o dia a dia”, explica.
Através de uma linguagem mais simples e longe das consultas formais, o geriatra Euler Ribeiro também acompanhou a programação especial e compartilhou com feirantes, consumidores e curiosos como os alimentos amazônicos podem contribuir para uma vida mais saudável.
Além do guaraná, Euler Ribeiro destacou que o consumo de açaí, tucumã, castanha do Brasil, graviola, peixes, cupuaçu, camu-camu, têm contribuído para o aumento da expectativa de vida dos ribeirinhos. O levantamento foi feito através de uma pesquisa sobre o envelhecimento do homem da floresta amazônica.
O feirante Antonio Pereira Gomes vende especiarias e pretende intensificar as vendas do guaraná em pó que, segundo Euler, contribui para o aumento da longevidade. “Sempre apresentei o produto como um energético natural. Agora, com mais conhecimento, vou falar sobre outras qualidades para meus clientes”, comemora. Gomes, que trabalha em feiras há mais de vinte anos, comenta que é a primeira vez que acompanha esse tipo de intervenção.
“Descobrimos que 1% dos idosos estão acima de 90 anos, e que há idosos com filhos entre 6 e 10 anos, comprovado por meio de análises de DNA. O ideal é que coma-se bastante castanha e tucumã, pois durante os estudos constatamos que o tucumã protege a mulher contra o câncer de mama”, enfatizou o pesquisador da UnATI/UEA (Universidade Aberta da Terceira Idade, da Universidade do Estado do Amazonas). Euler conta que ao colocarem células cancerígenas em contato com o fruto em laboratório, as células não resistiram e morreram em 24 horas.
Além de dicas sobre as propriedades dos alimentos, profissionais de nutrição orientavam os visitantes sobre como armazená-los e utilizá-los de modo que pudessem se prevenir de doenças como a febre tifóide, causada pela bactéria Salmonella typhi. “São pequenas ações que podem reduzir a possibilidade de infectarmos nossa família e nossos clientes”, acrescenta Gomes.

Projetos

A ‘Caneta Falante Pentop’ é resultante do projeto “Dinheiro Falante para Cegos”, aprovado no Programa Estadual de Atenção à Pessoa com Deficiência – Viver Melhor/Edital de Apoio à Pesquisa para o Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (Viver Melhor/Pró-Assistir), financiado pela Fapeam, em parceria com a Secti-AM (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação) e Seped (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência).
O objetivo dos pesquisadores amazonenses é solucionar o problema da identificação dos valores das cédulas de dinheiro por parte de pessoas com deficiência visual. Em relação ao funcionamento, a “caneta fala” ao cego o valor da cédula. Além de facilitar o manuseio, a caneta ajuda na educação, informação, lazer entre outras tarefas do cotidiano das pessoas com esse tipo de deficiência. Além de identificar notas, o software agregará outros benefícios para o deficiente visual como tocar músicas e reproduzir audiolivros no formato MP3, ler a alfabetização em Braille, auxiliar no ensino de idiomas e nas atividades escolares e domésticas como a identificação de objetos (CDs, livros, DVDs, remédios, roupas, etc).
Quanto ao CupuMax, nome dado ao produto feito a partir da amêndoa do cupuaçu, trata-se do desdobramento de um projeto aprovado com recursos do Pappe Subvenção (Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Micro e Pequenas Empresas na Modalidade Subvenção Econômica), que trouxe ao mercado o cupulate, achocolatado feito a partir do cupuaçu.
O CupuMax, nome dado ao produto, não possui em sua composição adição de cacau e cafeína e tem sabor similar ao achocolatado de cacau. O produto – ainda sem previsão de valor ou previsão de lançamento no mercado para consumo – está em processo de patente no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual). O projeto da barra de chocolate surgiu por conta de alguns desafios encontrados pela empresa, tal como a necessidade de maior aproveitamento da extração de óleo do cupuaçu, uma vez que precisavam de volume de sementes para aumentar a venda de gordura para empresas de cosméticos de São Paulo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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