Feriados são pesadelo do comércio

Em: 30 de janeiro de 2013
Confederação Nacional do Comércio cobra resposta à Adin diante do prejuízo ao crescimento econômico dos dias “enforcados”
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Confederação Nacional do Comércio cobra resposta à Adin diante do prejuízo ao crescimento econômico dos dias “enforcados”

om o feriado de Carnaval (12/2) e de outros ao longo do ano, que poderão ser utilizados como ‘ponte’ para aumentar a folga dos trabalhadores e servidores públicos brasileiros, a CNC (Confederação Nacional do Comércio) está preocupada com as consequências causadas ao setor e à economia do país e ajuizou duas ADIN (Ações Diretas de Inconstitucionalidade), de número 4091 e 4092.
A entidade argumenta que os feriados estaduais trazem prejuízos ao comércio local, ao desenvolvimento, ao crescimento econômico, à geração de emprego e renda. Nesse sentido, propõe que no caso dos feriados que coincide ou aproxime do final de semana, sejam transferidos para a segunda-feira, ou seja, no início da semana. E a segunda proposta é permanecer com o atual calendário de feriados, nas esferas, federal, estadual e municipal, evitando que se criem novos feriados.
“A CNC não tem nada contra feriados. Mas, o legislador estadual vem usurpando a competência da União de editar normas sobre direito do trabalho, tema no qual está inserida a decretação de feriados, e isto fere a Constituição”, afirma o advogado da entidade que assina a Adin, Orlando Spinetti, esclarecendo que ao estado é permitido decretar apenas um feriado –o de sua data magna.
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, manifesta entendimento idêntico ao da CNC e afirma que é inconstitucional a Lei estadual que instituiu um feriado em 20 de novembro para celebrar Zumbi dos Palmares e o Dia Nacional da Consciência Negra. No texto, o procurador reconhece que a criação da folga estadual “representa a instituição de um dia de descanso remunerado para os trabalhadores, o que faz surgir mais obrigações tributárias para os empregadores”.

No Amazonas

Este fato traz prejuízo para a economia do estado como um todo e não apenas para o comércio afirma o assessor econômico e membro da diretoria da Fecomércio-AM (Federação do Comércio no Amazonas), José Fernando Pereira da Silva.“A questão extrapola o âmbito das federações estaduais, porque o comércio deixa de vender, a indústria deixa de produzir, o governo deixa de arrecadar, meche com a economia do país como um todo”, frisou.
Segundo Silva o prejuízo está na casa de milhões de reais ao longo do ano. Ele cita que uma das soluções em discussão no Congresso Nacional, com apoio da CNC, é o projeto de lei que propõe a transferência de um feriado ‘imprensado’ na sexta-feira para a segunda-feira, a fim de reduzir as perdas.
O mês de fevereiro inicia com os cinco dias de carnaval, mesmo sendo feriado cultural e não reconhecido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é praticado em todo país, e novembro que é um dos doze meses com maior número de feriados: Finados (2), Proclamação da República (15) e o Dia da Consciência Negra (20). De acordo com o economista, após essas longas paradas promovidas pelos feriados, o comércio tenta retomar as vendas utilizando a estratégia das promoções e liquidações.

Estratégia comercial
Os empresários associados da ACA (Associação Comercial do Amazonas) estão se organizando para uma nova composição de trabalho com foco no primeiro quadrimestre do ano para estimular o público consumidor manauara voltar a frequentar o comércio do Centro da cidade. Que já apresenta os primeiros sinais de recuperação com as ações de requalificação do Centro Histórico de Manaus. A novidade fica por conta do pré-lançamento da campanha “Vem viver no Centro”, segundo a assessora de comunicação da entidade, Sonia Rodrigues.

Posição sindical

De acordo com o secretário do Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus (Sindecom), José Ribamar Vieira do Nascimento o período carnavalesco será tranquilo para o setor varejista. Mas, resalta aos foliões, que devem atentar para a segunda-feira e quarta-feira de cinzas serem dias normais de trabalho para os comerciários. Pela lei trabalhista estão passíveis de desconto caso o empregado regular do comércio falte ao trabalho nestes dias, inclusive à própria terça-feira. “Não há novidade, até porque trata-se de um feriado cultural que o povo aguarda, mas feriado na realidade não é nem a terça-feira, e a CLT prevê desconto, caso não seja acordado entre o empregador e empregado”, alertou Nascimento.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas(Sindacam), Enock Luniere, os feriados prolongados prejudicam as atividades de entrega, distribuição e de vendas do setor atacadista.
Segundo Luniere o problema agrava-se na época do carnaval e dos ‘feriados pontes’, quando a maioria dos estabelecimentos comerciais permanecem fechados ocasionando a diminuição significativa nas entregas de mercadorias e produtos que abastecem o comércio.“Este ano o comércio atacadista vai funcionar no sábado e na segunda-feira de carnaval, folgando na terça-feira e retornando as atividades às 13 horas da quarta-feira de cinzas, mas sabemos que os carnavalescos faltam em sua maioria nestes dias causando transtornos no abastecimento do comércio”, alerta Luniere.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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