Férias não aquecem negócios no Amazonas

Em: 18 de janeiro de 2016

Nem mesmo as altas temperaturas, a alta temporada de férias e a valorização do dólar frente ao real foram capazes de atrair uma quantidade significativa de turistas ao Amazonas neste mês de janeiro. De acordo com o Ministério do Turismo, mais de 30,6% das viagens realizadas em todo o ano acontecem entre os meses de dezembro e janeiro. Para este ano, com a crise econômica, o ministério prevê que a demanda de turistas por um destino nacional deve ser ainda maior.

Estima-se que 81,7% das viagens realizadas pelos brasileiros a partir de dezembro terão como destino uma cidade do próprio país. No entanto, o Amazonas, bem como a maior parte dos estados da região norte, tem despertado pouco interesse por parte dos viajantes. Segundo a pasta, as cidades litorâneas estão no topo da preferência dos estrangeiros. De acordo com dados do ministério, destinos de sol e praia são os preferidos de quase metade (49,2%) dos visitantes internacionais. Para essas férias, os destinos mais procurados pelos turistas são, respectivamente, as regiões nordeste, sudeste e sul.

Segundo boletim de intenção de viagem do Ministério do Turismo, apenas 5% dos turistas demonstraram interesse em visitar a região norte brasileira. Para o presidente do sindicato dos hotéis de Manaus, José Roberto Tadros, a crise no setor de turismo no Amazonas é anterior à crise econômica brasileira e nem mesmo a alta temporada de férias ou o real desvalorizado deverão atrair turistas internacionais ao estado.

“Estamos na primeira metade do mês e não temos tido bons resultados. Já há algum tempo, os setores de turismo e fundamentalmente de hotelaria estão amargando prejuízos sem precedentes. O empresariado está tendo prejuízos brutais. Não temos turismo nem negócios”, lamenta o presidente.

Turismo na pré-história

Ainda segundo Tadros, falta ao estado do Amazonas políticas que estimulem a chegada de novos visitantes interessados em conhecer as belezas naturais do estado já que, segundo ele, grande parte dos turistas que chegam a Manaus vem à capital a negócios, principalmente ligados ao Polo Industrial de Manaus.

“Até hoje não se fez alguma coisa importante que colocasse o Amazonas na rota do turismo internacional. Então grande parte dos turistas que aqui chega são pessoas que vem tratar de negócios na Zona Franca de Manaus, Distrito Industrial ou de assuntos relacionados ao Governo Federal. Em relação ao turismo exploratório das belezas naturais do Amazonas nós ainda estamos na pré-história”, avalia.

Bares e restaurantes também têm queda

Além do setor hoteleiro, o segmento de bares e restaurantes também sofre com o período de férias no Amazonas. De acordo com Janete Fernandes, presidente da ABRASEL-AM (Associação Brasileira de Bares de Restaurantes – Seccional Amazonas), o setor que em 2015 amargou uma queda entre 10% a 15% em relação a 2014 deverá sofrer ainda mais nos primeiros meses deste ano, devido ao grande número de pessoas que deixam a cidade.

“O ano de 2015 já foi um ano com movimento mais difícil em relação a 2014. Janeiro e fevereiro são meses difíceis para os bares e restaurantes: fevereiro é um mês curto e janeiro é mês de férias, quando as pessoas viajam muito. Ainda não fechamos o balanço de janeiro, mas com certeza já tivemos queda em relação a janeiro de 2015”, adianta Janete.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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