Financiamento emperra negociações na COP-15

Em: 11 de dezembro de 2009
O secretário executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, admitiu na quinta-feira, 10, que praticamente nada avançou na negociação do financiamento de longo prazo para ações de combate ao aquecimento global.
O secretário executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, admitiu na quinta-feira, 10, que praticamente nada avançou na negociação do financiamento de longo prazo para ações de combate ao aquecimento global.

O secretário executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, admitiu na quinta-feira, 10, que praticamente nada avançou na negociação do financiamento de longo prazo para ações de combate ao aquecimento global.
Segundo Boer, neste momento, todo o esforço está direcionado apenas para garantir recursos entre 2010 e 2012. “O foco está amplamente concentrado no curto prazo, no dinheiro pronto para ser usado nos próximos três anos”, afirmou. A ideia dos países ricos é investir U$ 30 bilhões nos próximos três anos.
Boer ressaltou, porém, que o financiamento de longo prazo precisa ser discutido em Copenhague (Dinamarca), mas indicou que o assunto pode ser levado para novas rodadas de negociação em 2010.

Sem compromisso

Os países pobres e em desenvolvimento já esclareceram que, sem compromissos financeiros dos países ricos, no longo prazo, não existe possibilidade de acordo. O negociador do Sudão, país que preside o G-77, grupo do qual o Brasil faz parte, Lumumba Stanislas Dia-Ping, exigiu que os países ricos definam em Copenhague, pelo menos, um aporte de U$ 200 bilhões anuais.
O sudanês ressaltou que somente os Estados Unidos poderia entrar com metade desses recursos. “Os Estados Unidos tem uma economia muito bem sucedida. Comparando com os recursos que eles gastaram com a ajuda aos bancos durante crise financeira, o que seriam U$ 100 bilhões?”, questionou o negociador.
O Brasil e a China, principais países em desenvolvimento que atuam nas negociações da Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, também não cogitam firmar qualquer acordo em Copenhague que envolva apenas o financiamento de curto prazo para mitigar a emissão de gases de efeito estufa e adaptar as economias dos países pobres a novas tecnologias, capazes de desacelerar o aquecimento global.
Mas o estrategista chefe da delegação da União Europeia, Artur Runge-Metzger, advertiu que os países ricos não tem em vista qualquer investimento nos valores anunciados pelo G-77.
“A quantia de U$ 200 bilhões é mais do que o mundo investe em desenvolvimento dos países pobres. Não há neste momento projetos de combate ao aquecimento global capazes de dar suporte a esse tipo de investimento. Muitos países sequer têm planos ambientais”, disse.

Acordos para transferência de tecnologia avançam, avalia ONU

As negociações para um novo acordo mundial sobre o clima registraram “progressos”, sobretudo no que diz respeito a transferências de tecnologia, de acordo com o principal negociador da ONU (Organização das Nações Unidas) para o clima, Yvo De Boer. As informações são da agência portuguesa Lusa.
Durante o quarto dia da COP-15 (15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), De Boer afirmou sentir que há uma vontade sincera por parte dos países em negociar. Ele admitiu também que as grandes expectativas acerca do encontro criam nervosismo.
Até o próximo dia 18, negociadores de mais de 190 países têm a missão de chegar a um consenso sobre o novo acordo climático para complementar o Protocolo de Quioto depois de 2012 .

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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