Financiamento para habitação na Caixa dobra no início de 2010

Em: 14 de fevereiro de 2010
As Letras Financeiras foram criadas por medida provisória em dezembro de 2009. Elas representam um empréstimo tomados pelos bancos, através de um título
As Letras Financeiras foram criadas por medida provisória em dezembro de 2009. Elas representam um empréstimo tomados pelos bancos, através de um título

O crédito habitacional da Caixa Econômica Federal mais que dobrou nas primeiras semanas deste ano. De acordo com os dados divulgados na sexta-feira, referentes até o dia 9 de fevereiro, os recursos concedidos somaram R$ 5,399 bilhões, 116% acima do registrado no mesmo período de 2009.

“O mercado tem apresentado uma condição de resposta muito melhor do que a esperada”, comentou a presidenta da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, durante a coletiva com a imprensa para divulgar o balanço de 2009. Segundo ela, os recursos concedidos até agora já representam 10% do orçamento da Caixa Econômica para o ano, de R$ 50 bilhões.

A projeção do banco federal é de um crescimento de 26,3% na carteira de habitação neste ano, chegando a um saldo de R$ 89,072 bilhões.
Em 2009, a Caixa bateu recorde de contratações,quando foram concedidos R$ 47,3 bilhões com recursos do banco, o que inclui poupança e FGTS, dobrando (105,2%) o volume contabilizado em 2008. O estoque da carteira atingiu R$ 70,5 bilhões, com alta de 56,5%.

O número de unidades financiadas pela instituição no ano passado chegou a 896.762, das quais 275.528 como parte do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”.
A presidente da Caixa afirmou que a meta de 1 milhão de casas construídas pelo programa será atingida neste ano, citando o ritmo bastante acelerado na demanda e na concessão do crédito habitacional no início de 2010.

Captação de recursos

Dentro da estratégia de aumentar cada vez mais sua participação nas operações de crédito no país e esperando um crescimento na demanda neste ano, a Caixa Econômica Federal quer diversificar suas fontes de financiamento. “Estamos trabalhando com as fontes tradicionais de financiamento, mas também vamos trabalhar fortemente com captação”, afirmou o vice-presidente de Finanças da instituição, Márcio Percival.

De acordo com ele, ainda que esteja forte financeiramente, a Caixa quer buscar fundos de médio e longo prazo, visando o aumento na demanda das empresas por esse tipo de crédito para elevar seus investimentos. “2010 será um ano muito apoiado em investimentos”, disse. “A necessidade do mercado é de ‘funding’ a longo prazo”.
A estratégia da Caixa contempla basicamente dois instrumentos de captação: as chamadas Letras Financeiras, em fase de regulamentação pelo governo federal, para obter recursos no mercado interno, e a emissão de bônus no exterior.

As Letras Financeiras foram criadas por medida provisório em dezembro de 2009. Elas representam um empréstimo tomados pelos bancos, através de um título.
“A diferença deste título é que os credores não poderão resgatar os recursos antes do vencimento do papel – e a alternativa seria vender o título no mercado secundário”, assinalou Percival.

As LTs devem ser regulamentadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em março, e, segundo Percival, a Caixa deve começar a emitir esses títulos cerca de um mês e meio após a data. De acordo com ele, o banco pretende captar cerca de R$ 3 bilhões por meio deste instrumento, e apenas entre grandes investidores. Além disso, a Caixa pretende seguir os passos do Banco do Brasil e também captar recursos no exterior, através da emissão de bônus. “Nós temos claro que há um mercado lá fora”, afirmou Percival.

Segundo ele, que a intenção do banco seria realizar a operação já neste primeiro semestre. “Mas não sei se dá tempo”, disse, ressaltando que, sendo assim, a captação seria realizada no início da segunda metade do ano.
O índice de Basileia do banco estava em 17,5% ao final do quarto trimestre de 2009, o que, de acordo com o vice-presidente de Controle de Risco, Marcos Vasconcelos, possibilitaria à Caixa dobrar sua carteira de crédito, que fechou 2009 em R$ 124,4 bilhões, com crescimento de 55,3%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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