FINANCIAMENTOS – Ações de crédito da Afeam caem 58%

Em: 25 de janeiro de 2012
Número de operações passou de 16 mil para 6.593, com repasse de R$ 108 milhões, contra R$ 154 milhões no ano passado
Número de operações passou de 16 mil para 6.593, com repasse de R$ 108 milhões, contra R$ 154 milhões no ano passado

O número de operações de crédito concedidas pela Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) caiu mais de 58% em 2011, comparado com 2010. No ano passado, foram 6.593 financiamentos, o que representa um montante de R$ 108,576 milhões injetados no Estado, enquanto que no ano diretamente anterior foram 16 mil operações e R$ 154 milhões.
De acordo com o diretor-presidente da Afeam, Pedro Falabella, a diminuição nos financiamentos se deve à procura dos empreendedores por outros meios como o Basa (Banco da Amazônia) e Banco do Brasil.
Já o vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Mourão Junior, diz acreditar que além de juros mais vantajosos em outros bancos, a questão burocrática e a falta de informações sobre o tipo de empreendimento que o microempresário deseja iniciar também podem ter causado a diminuição na concessão de crédito via Afeam. “Às vezes a pessoa quer abrir um negócio, mas não tem noção técnica, não sabe nem se tem mercado”, afirma Mourão.
O vice-presidente do Corecon-AM reforça que os microempresários devem ter muito cuidado ao buscar um financiamento sem saber se tem perfil para o setor. “Ele tem que lembrar que é um empréstimo a longo prazo, mas caso não dê certo, vira uma dívida”, disse.
Mourão lembra que o Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) tem um trabalho de consultoria, onde o empreendedor é orientado sobre o setor onde quer abrir um negócio.

Positivo

Apesar da queda nos números, Pedro Falabella considera os números positivos e reforça que a aplicação desses recursos gerou cerca de 19 mil ocupações nos setores de comércio e serviços, indústria e rural. A estimativa da Afeam para 2012 é chegar aos R$ 170 milhões em investimentos no Amazonas.
“Os programas estão sendo mantidos. Vamos dar mais ênfase aos arranjos produtivos, atividades extrativistas, borracha, castanha, óleos, produtos que no passado sustentaram nossa economia”, afirma o diretor-presidente. Ele explica que a produção de borracha, por exemplo, começou com 300 toneladas em 2003 e já deve estar em 3 mil ou 4 mil toneladas. O objetivo da agência é incentivar a produção ainda mais. “Queremos chegar a 10 mil toneladas em 2015”, revelou Pedro Falabella. O diretor-presidente da Afeam reforça que o Amazonas já tem duas fábricas de borracha e deve inaugurar uma fábrica de pneus nos próximos três meses.

Setores

Em 2011, o setor que recebeu o maior volume de recursos foi o de comércio e serviços com R$ 54 milhões investidos em 3.366 operações. “Foi o setor que mais cresceu, principalmente no interior com a criação de pequenos empreendimentos como borracharias, açougues e padarias”, disse o diretor-presidente da Afeam.
Os setores rural e da indústria tiveram respectivamente recursos em torno de R$ 22,647 milhões e R$ 31 milhões, em cerca de 2.767 operações para empreendedores rurais e 960 para os industriais.
A capital amazonense recebeu R$ 70 milhões em investimentos em aproximadamente 1.465 mil operações, enquanto os municípios do interior tiveram 5.128 operações, movimentando R$ 38 milhões no ano passado. Pedro Falabella explica que em Manaus as aplicações são maiores, apesar do número de empreendimentos financiados ser menor que no interior, onde a maior parte das operações é de microcrédito.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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