Floresta ameaçada

Em: 24 de março de 2008
Geo-Holística
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Não precisa ser cientista ambientalista ou pesquisador, para saber e ter discernimento de que a implantação de estradas inter-regionais é a grande vilã em qualquer modelo de desenvolvimento sobre áreas naturais virgens. E não será diferente com a floresta tropical existente no Estado do Amazonas, por conta da recuperação da BR-319 (Manaus – Porto Velho), mesmo com a possibilidade de se implantar parte deste trecho na forma de ferrovia. Aliás, alternativa esta que impõe severas reflexões sobre sua efetiva necessidade, em razão de que a maioria das estradas-férreas brasileiras está sofrendo com problemas de conservação e manutenção, que apresentam custos elevados em razão da logística para tal.
Não é que eu seja contra à idéia da ferrovia, muito pelo contrário, mas me intriga o fato de que esta alternativa garantirá a não-proliferação de acessos marginais ou vicinais, como queiram, colocando em risco a integridade do extenso território verde ainda mantido no Amazonas. Tenho me perguntado se o Amazonas, com uma ferrovia em meio a este imenso “deserto verde” não repetiria em nossas vidas cenas dos filmes de “cowboy” americano, dos tempos da ocupação e colonização do Estado norte-americano, em que índios e bandidos no amplo sentido das palavras, se confrontavam em constantes aventuras criminosas ao longo das ferrovias implantadas naquela época, com o argumento político de estratégia de integração regional. Parece que isto foi há muito tempo, mas não é. É bem possível que a nossa ferrovia possa também servir para que os nosso índios, cabocos e bandidos do crime organizado (em especial o narcotráfico) encontrem neste modal um bom caminho para as “Índias” (relativo à Índia) em sentido contrário ao nosso descobrimento provocado pela busca de novos mercados mundiais.

“PIB de lona”

A ameaça iminente do projeto relativo às ZPEs em relação ao futuro do Pólo Industrial de Manaus, continua provocando inúmeras discussões em relação à real sustentabilidade do modelo econômico baseado na Zona Franca de Manaus. Caso não se consiga alterar algumas das regras deste jogo político-econômico, indubitavelmente o futuro será incerto para os amazonenses em geral. Isto porque, as ZPEs não estarão obrigadas a implantarem ou a obedecerem instrumentos de política da competitividade em relação à ZFM. Tal ausência de disciplinamento em relação a quesitos de processo e de qualidade deste, certamente incrementará, ainda mais, o quadro de injustiça político-econômica quase sempre tentado ser levado à cabo por forças do governo federal, quadro este que já vem sendo em muito afetado pelo “efeito China”.
Neste cenário fica evidente, que o PIB do Estado do Amazonas não criou raízes regionais, configurando-se como um “PIB de lona”, que pode ser desarmado ou desmontado a qualquer tempo e seguindo ciganamente outros caminhos mais rentáveis, o que impõe ao governo do Estado, urgentemente, construir uma nova plataforma econômica e tecnológica, que possa apresentar vocação e maturidade de curto prazo, pois o desenvolvimento local não teria como esperar mais 40 anos para ter um modelo maduro, a exemplo do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Nesta senda surge como alternativa econômica mais agressiva à sustentação da floresta amazônica a exploração dos recursos florestais, pautada na retirada irresponsável de madeiras de elevado valor comercial, além das tentativas de empreendimentos agropecuários, já comprovadamente não sustentáveis na grande extensão da região amazônica. Entretanto, há uma realidade a ser entendida, compreendida e aceita por muitos. Qual seja!? – a de que o setor mineral e de óleo&gás, com seus altos graus de aplicação de tecnologias de pesquisa e exploração, despontam como as melhores opções de economias em contraponto à destruição da floresta em pé, vital para a manutenção do clima na região e no Planeta.

Meritocracia incompetente

Não é a cidade de Manaus, mas sim o cidadão contribuinte quem sofre as conseqüências da incapacida

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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