FMI

Em: 31 de janeiro de 2014
Infraestrutura deve limitar crescimento – Diretor do fundo afirma que gargalos vão continuar freando avanço do país em 2014
Infraestrutura deve limitar crescimento - Diretor do fundo afirma que gargalos vão continuar freando avanço do país em 2014

OFMI (Fundo Monetário Internacional) volta a mencionar os gargalos na infraestrutura como um fator para limitar um maior crescimento da economia brasileira. “O Brasil está correndo contra estrangulamentos pelo lado da oferta, que estão restringindo a expansão do produto e puxando a inflação para cima. Assim, não vemos o crescimento este ano maior que os 2,3% do ano passado”, afirmou o diretor para o Hemisfério Ocidental do Fundo, Alejandro Werner, em uma entrevista à imprensa nesta quinta-feira.
Werner diz que a queda dos preços internacionais das commodities, por conta da economia chinesa crescendo menos, vai ofuscar um pouco a maior demanda por produtos brasileiros por conta da recuperação da economia dos EUA e na Europa. O diretor destaca ainda que as condições nos mercados financeiros internacionais vão ficar mais apertadas, em meio à retirada dos estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Isso se traduz em custos mais altos de empréstimos nos mercados financeiros.
Na América Latina, o México deve ser um dos destaques de crescimento este ano e se expandir 3%, acima dos 1,2% do ano passado, puxado pela recuperação dos Estados Unidos. A projeção do FMI é que os EUA cresçam 2,8% em 2014, acima dos 1,9% de 2013.
Para países como Argentina e Venezuela, as perspectiva é menos favorável, diz o diretor. Pressões na inflação, no câmbio e no balanço de pagamentos estão pesando na confiança dos agentes e afetando a demanda agregada.

Solidez
O Brasil tem economia sólida para enfrentar as recentes turbulências nos mercados emergentes, afirmou Alejandro Werner. Ele prevê que a volatilidade nos mercados financeiros vai continuar este ano, em um momento de transição da economia mundial, com normalização da política monetária nos Estados Unidos e a China tentando mudar seu modelo de crescimento.
Werner citou o alto nível de reservas internacionais do Brasil e balanços bons de bancos e empresas não financeiras. Além disso, ele destacou que o sistema financeiro é sólido. “Todas as economias da América Latina estão sofrendo um processo de reprecificação dos ativos. Mas claramente quando alguém vê os balanços corporativos e bancos (brasileiros) vê que são sólidos”, afirmou na entrevista.
O diretor do FMI destacou que o Brasil precisa consolidar e reforçar o marco de médio prazo da política fiscal, de modo a garantir a sustentabilidade da dívida pública. Werner afirmou ainda que, no âmbito interno da economia brasileira, é o momento de reforçar a credibilidade de políticas macroeconômicas.
Werner voltou a enfatizar o baixo nível de investimento privado do país e destacou que o Fundo não vê forças externas e internas “muito importantes” que acelerem o crescimento econômico brasileiro em 2014, ao contrário de México e América Central e Caribe, que devem se beneficiar da recuperação mais forte dos Estados Unidos.
Questionado por uma jornalista argentina sobre se o recente estresse no mercado de câmbio do país pode afetar o Brasil, Werner disse que os dois países vizinhos já foram muito mais dependentes um do outro no passado. Mas esse nível de dependência se reduziu de maneira importante nos últimos anos. “A fonte maior de vulnerabilidade (para os dois países) que vemos são externas, como o preço das commodities e a volatilidade dos mercados.”
Em um momento de transição na economia global, o diretor do FMI disse que a instituição está especialmente atenta a três fatores, que serão monitorados mais de perto. A retirada dos estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), a aceleração do crescimento norte-americano e a mudança de modelo de crescimento da China.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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