Follow-Up EMPRESARIAL

Em: 3 de fevereiro de 2010
Copaíba contra a tuberculose
Copaíba contra a tuberculose

A velha tuberculose – sua origem remonta a séculos antes da era cristã – é uma das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada hoje pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate anualmente quase 2 milhões de pessoas.

Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra tuberculose, substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp) –planta originária da Amazônia– poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado em seu tratamento. O princípio ativo do novo remédio, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro –feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados– e in vivo, em camundongos.

O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, da Farmanguinhos (Fundação Oswaldo Cruz), encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação antiinflamatória. “Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose”, contou a pesquisadora.

A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. “Vimos que sim”, disse Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, foram administradas doses por via oral da substância em camundongos e coletado o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico.

A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar a etapa pré-clinica e, então, solicitar autorização para começar os testes em humanos. Tais testes são divididos em três fases: fase 1 (realizada em cerca de 20 voluntários sadios), fase 2 (em pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos).

Essa é o tipo de pesquisa que deveria ser feita no CBA ou em outro órgão de pesquisa da Amazônia, como o INPA, e não em São Paulo. O fato é que, lamentavelmente, a ZFM –com seus baixíssimos padrões de qualidade da educação que ministra em suas escolas– está longe de poder gerar conhecimento científico para transformar em riqueza a biodiversidade regional.

Para finalizar, a coluna Follow-up faz duas observações: a primeira é o vasto potencial da biodiversidade da Amazônia para o desenvolvimento de novos fármacos; e a segunda, o lamentável atraso do funcionamento do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), que foi construído há quase dez anos, no início dos anos 2000, em terreno próximo à sede da Suframa, e até os dias de hoje não opera em sua plenitude.    

Banho de bactérias

Foi constatado que os chuveiros domésticos oferecem ambiente propício à proliferação de micróbios potencialmente patogênicos, que podem ser inalados nas partículas suspensas, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. A pesquisa, a ser publicada na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, concluiu que cerca de 30% dos chuveiros analisados abrigavam níveis expressivos de Mycobacterium avium, bactéria ligada a doenças pulmonares.

O patógeno contamina com mais frequência pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, podendo infectar pessoas saudáveis. Segundo o autor principal do estudo, Norman Pace, professor do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da Universidade do Colorado, os cientistas analisaram cerca de 50 chuveiros, em nove cidades, em sete estados americanos. Não é surpreendente encontrar patógenos em águas da rede pública, de acordo com Pace, mas os pesquisadores descobriram que algumas das bactérias se aglutinam, formando um “biofilme” viscoso que adere ao interior dos chuveiros em concentração mais de cem vezes maior que a encontrada na água encanada. “Quando a pessoa liga o chuveiro e recebe um jato d’água, provavelmente está levando também uma carga particularmente elevada da bactéria Mycobacterium avium, que pode não ser muito saudável”, disse Pace. O estudo é parte de um esforço maior de sua equipe, cujo objetivo maior é avaliar a microbiologia dos ambientes internos, com apoio da Fundação Alfred P. Sloan.

Outra pesquisa realizada pelo Hospital Nacional Judaico, em Denver, revelou que houve um crescimento nos Estados Unidos, nas últimas décadas, de infecções pulmonares relacionadas a espécies de bactérias não ligadas à tuberculose, como a Mycobacterium avium. Segundo os autores, esse crescimento pode estar ligado ao fato de a população do país ter passado a utilizar mais o chuveiro e menos a banheira. “A água que jorra do chuveiro pode distribuir gotículas recheadas de patógenos que ficam suspensos no ar e podem ser facilmente inalados, penetrando nas partes mais profundas dos pulmões”, declarou Pace. Os sintomas da doença pulmonar causada pela Mycobacterium avium, segundo o estudo, podem incluir cansaço, tosse seca persistente, falta de ar, fraqueza e sensação de mal-estar. Apesar dos resultados encontrados, Pace ressalta que não é perigoso utilizar chuveiros para tomar banho, supondo que o sistema imune da pessoa não esteja comprometido. De acordo com ele, como os chuveiros de plástico apresentam carga maior de patógenos, os chuveiros de metal podem ser uma boa alternativa.

Esta coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras e é elaborada sob a coordenação do economista, Ronaldo [email protected]
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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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