Follow-Up – Raio X da Amazônia (II)

Em: 9 de abril de 2008
Dada sua importância, damos prosseguimento ao assunto abordado na coluna de ontem (09.04.08): resultados da pesquisa nacional realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida em 103 municípios, incluindo 27 capitais.
Dada sua importância, damos prosseguimento ao assunto abordado na coluna de ontem (09.04.08): resultados da pesquisa nacional realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida em 103 municípios, incluindo 27 capitais.

Dada sua importância, damos prosseguimento ao assunto abordado na coluna de ontem (09.04.08): resultados da pesquisa nacional realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida em 103 municípios, incluindo 27 capitais. O objetivo do estudo foi identificar o universo mental do brasileiro. Suas conclusões foram apresentadas no livro “A Cabeça do Brasileiro”, publicado no final de 2007. 
Com doutorado em Ciência Política pelo Iuperj, Almeida nasceu em Alagoas, foi criado no Rio de Janeiro e hoje reside em São Paulo. Em fase final de edição, está para sair um novo livro (A Cabeça do Eleitor) que tratará das percepções e expectativas do eleitor típico.
Indagado sobre o que havia de medieval na cabeça do brasileiro, respondeu: “No fundo, muita coisa. Avaliamos a visão que o brasileiro tem do destino. Resultado: 60% acreditam que todo o destino, ou grande parte dele, está nas mãos de Deus, e os homens não controlam nada, ou são capazes de mudá-lo muito pouco. Acham que tudo está nas mãos de Deus –ou quase tudo… E só 14% entendem que não há destino. Isso eu considero um quadro de idade média, que justifica muitas coisas. ‘Ah, estava no lugar errado, na hora errada. É o destino. Deus quis…’. Quando você junta o familismo a essa visão fatalista, depara com um limite importante para a atitude de empreender. Aquela coisa: não sobrou nada para eu fazer, tenho de abrir uma birosca. Não há empreendedorismo”.
Tal postura indica um sentimento de conformismo que leva ao auto-engano e às idéias românticas das esquerdas, anacrônicas e dogmáticas, fora da realidade do século XXI. É um caldo de cultura propício à proliferação de seitas que se apóiam na credulidade e na ingenuidade da população, alimentadas pela baixa escolaridade da população.    

Culto ao Estado
A pesquisa estabelece correlação significativa entre postura estatizante e baixo nível de instrução; mas há brasileiros cultos com essa mesma visão. Como explicar? O autor responde: “Vou falar uma coisa que serve para todas as respostas da pesquisa. A sociedade tem uma massa crítica, isto é, uma certa quantidade de pessoas que pensam de um jeito. A nossa massa crítica de grau superior é pequena. Ela tem muito pouca capacidade de mudar ou influenciar a grande massa que tem escolaridade baixa. Se, em vez de 10%, tivéssemos 30% dos brasileiros com ensino superior, o Brasil seria muito diferente. Teríamos uma massa crítica brutal, gigantesca. Na situação de hoje, até mesmo quem tem escolaridade mais alta está num ambiente em que todo mundo quer o governo. E aí é complicado você também não querer o governo, ou querer menos governo”. Esta é a gênese do culto ao Estado, como se o governo fosse o pai de todos –a raiz do assistencialismo. Isso explica a postura passiva em relação à vida. Todos dependem de Deus e do Estado. Há pouco espaço de manobra para iniciativas modernizadoras que quebrem as amarras que prendem o Brasil ao atraso histórico.

Sentimento antiliberal
Almeida, com base nos resultados do estudo, manifesta-se da seguinte forma acerca dos fatores que nutrem o sentimento antiliberal dos brasileiros e como eles se expressam: “Uma pessoa que teve acesso à educação e perde o emprego não fica desesperado. Preocupa-se, claro, mas tem uma poupança, sabe que vai ficar algum tempo até arranjar outro emprego, que até pode não ser tão bom, mas se sente capaz, tem confiança em si. O cara que está lá embaixo, se perder o emprego, vai rezar, vai pedir auxílio ao governo, vai fazer promessa. Esse cara tem uma vida mais insegura, e por isso acaba querendo mais governo, mais Estado, menos mercado, porque isso dá sensação de proteção –embora eu tenha minhas dúvidas de que isso proteja alguém. Já as pessoas com escolaridade mais alta se sentem mais autônomas. Como a escolaridade dos brasileiros está aumentando, o Brasil tende a ficar mais liberal do ponto de vista econômico. Mas hoje ainda vejo o brasileiro esperando do Estado muito mais do que seria razoável”. Esse é um ponto crucial q

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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