Finalizamos hoje a série de comentários, iniciada anteontem (9/4/08), sobre a pesquisa para investigar ‘a cabeça dos brasileiros’, realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida.
No que toca ao culto ao Estado que existe e o que a população espera do ente estatal, o sociólogo opinou: “Vi um governador fazendo uma exposição sobre as ações da sua gestão. Havia coisas do tipo ‘fomento ao empreendedorismo’ e ‘fomento aos valores éticos da sociedade’. Isso é ridículo. Onde já se viu governador fomentar empreendedorismo? Não seria muito melhor o governo fazer o básico, isto é, educar a população? Depois, a população se vira. Ela vira empreendedora. O governo está sendo ridículo? Não. Ele faz isso porque a sociedade quer que ele aja assim, e cobra. No Brasil, a pressão é para o governo fazer tudo. Todo mundo pede tudo ao governo. Então você tem aumento do gasto público, déficit fiscal. Tudo por causa dessa visão de mundo que está baseada na escolaridade baixa e na extrema pobreza”. A mesma visão está presente, em países com alta escolaridade, na Europa, por exemplo. Sobre isso, Almeida disse: “Toda sociedade tem suas diferenças. A França é muito mais estatizante que os Estados Unidos e que a Alemanha, por exemplo. Essas diferenças culturais existem não tenho a menor dúvida, mas não entrei nisso em meu estudo. E acredito que, à medida que aumente a nossa escolaridade, o Brasil irá se tornar mais americanizado. E imagino que na França tenha acontecido o mesmo”. O problema está apenas na diferença entre governo eficiente e governo assistencialista. As esquerdas atacaram a pesquisa nesse ponto. Não se pode esquecer que na economia baseada na livre iniciativa a missão do governo é a defesa do território e a prestação de serviços públicos para prover educação, saúde pública (com ênfase em saneamento básico) e segurança. O setor privado pode fazer o restante com mais de forma mais eficaz, pressupondo que haja um ambiente favorável aos investimentos, um bom clima para os negócios.
Privatização
Com base no estudo, ficou claro que Petrobras e Banco do Brasil não serão privatizados tão cedo; pode-se contra-argumentar que na última década foram feitas várias privatizações. Sobre isto, eis o ponto de vista do sociólogo: “Esta afirmação sobre a Petrobras e o Banco do Brasil, que são símbolos nacionais, é uma provocação. É que, com a mentalidade estatizante do brasileiro, não há como imaginar que essas empresas possam ser privatizadas. Ao menos em condições normais de temperatura e pressão, isso é improvável. Não tem saída. Para privatizar, só mudando a mentalidade da sociedade. A resistência é e será muito grande a qualquer tentativa de privatização desses símbolos. Quanto às privatizações do governo FHC, a rejeição existia, mas houve tolerância em função de que a inflação estava sendo, enfim, derrotada”.
Corrupção
No que toca à corrupção, Almeida comentou: “O problema é a cultura do jeitinho, que é a quebra de uma regra. O brasileiro tolera essa quebra, ele não é rígido em relação ao cumprimento da regra informal. Então, está a um passo da corrupção. Dar um jeitinho é visto como um comportamento sempre certo na opinião de 9%, é certo na maioria das vezes para 41%. Só 18% dos entrevistados consideram o jeitinho sempre errado”. Comparando isto com a afirmação de que haveria certa hipocrisia em repudiar o jeitinho somente quando ele beneficiava os outros, e não a nós, o pesquisador afirmou: “Pois é, dependendo do lado do balcão em que você está, a opinião sobre o jeitinho muda. O jeitinho é uma zona cinzenta moral. Aquilo nem sempre é errado, nem sempre é certo, depende da situação. No fundo, é isto”. A flexibilização da ética é a origem da corrupção nacional. A crescente ausência do exemplo emanado das elites dirigentes –com raras exceções– é um forte estímulo para o desenvolvimento do processo.
Diferenças regionais
Comentando se as diferenças regionais eram marcantes, o pesquisador afirmou: “Veja, os habitantes do Ri







