A iminência de uma greve dos ônibus foi confirmada na tarde de ontem, quando o Sindicato dos Rodoviários prometeu paralisar 70% da frota das empresas que não depositassem o salário de seus funcionários até a madrugada de hoje. Estima-se que a greve tire de circulação mais de 1.400 veículos.
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Élcio Campos, informou que o pagamento deveria ser depositado, mas as empresas alegam que o dinheiro para isso está bloqueado na justiça. A segunda assembleia, que confirmou a greve, aconteceu em meio a pancadaria e com direito a chegada da polícia.
O diretor social do Sindicato dos Rodoviários, Givancy de Oliveira, estava presente na ocasião e rebateu as declarações do diretor executivo do Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas), César Tadeu Teixeira, que afirmou que a greve não foi informada à entidade com 72 horas de antecedência, como está previsto na legislação. “O comunicado da greve foi feito na imprensa oficial, divulgado em edital há três dias”, disse Givancy. O mesmo declarou que o rodoviário tem obrigações financeiras assim como qualquer pessoa e que ele não pode “ficar refém” do Sinetram.
Motorista de ônibus há mais de 20 anos, Renê Araújo, 57, disse que esse comportamento das empresas de não pagar salário no dia e não cumprir o prazo de outros benefícios essenciais vem se tornando uma rotina. “Os empresários só pagam quando a gente pressiona e ameaça parar”, falou Renê. A assembleia estava para começar quando um homem identificado como Brasil rasgou a lista de presença da reunião, causando a indignação dos rodoviários e fazendo-os partir para a violência. Com a chegada da polícia, Brasil, que segundo sindicalistas era candidato a suplente da chapa 2, que não conseguiu se eleger, deixou o local rumo a delegacia para registrar Boletim de Ocorrência contra os colegas de profissão.
Além de prejudicar o comércio, a greve atrapalha milhares de trabalhadores. Na última greve, que aconteceu na segunda quinzena de maio deste ano, cerca de 400 mil pessoas foram afetadas, ficando sem transporte. Na ocasião, a categoria reivindicava reajuste de 7% sobre os valores vigentes na época, para a cesta básica e o vale-alimentação.
Ontem, outra situação delicada envolvendo o transporte público também veio à tona, quando cobradores se recusaram a receber a meia passagem estudantil em dinheiro, direito que deveria valer até o dia 31 de julho. Segundo informações do Sinetram, o problema ocorreu devido a um erro na empresa que gerencia os dados da bilhetagem eletrônica, causando uma antecipação do novo sistema, que só deveria entrar em vigor no mês de agosto.
Frota de ônibus de Manaus está sob ameaça de nova paralisação
Em: 7 de julho de 2009
A iminência de uma greve dos ônibus foi confirmada na tarde de ontem, quando o Sindicato dos Rodoviários prometeu paralisar 70% da frota das empresas que não depositassem o salário de seus funcionários até a madrugada de hoje
Redação
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