Funcionário de Alfredo constrói casa de R$ 2,1 milhões no DF

Em: 7 de julho de 2011
A denúncia foi divulgada na edição desta quarta-feira (06) pelo Jornal Folha de São Paulo em matéria assinada pelo jornalista Rubens Valente.
A denúncia foi divulgada na edição desta quarta-feira (06) pelo Jornal Folha de São Paulo em matéria assinada pelo jornalista Rubens Valente.

Afastado do cargo junto de mais três servidores do Ministério dos Transportes após uma denúncia divulgada pela revista “Veja” no último final de semana, o engenheiro civil Mauro Barbosa da Silva, até a semana passada chefe de gabinete do ministro Alfredo Nascimento, está construindo uma mansão em Brasília com três pavimentos e 1.300 metros quadrados. A denúncia foi divulgada na edição desta quarta-feira (06) pelo Jornal Folha de São Paulo em matéria assinada pelo jornalista Rubens Valente.
Em entrevista divulgada hoje na internet pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que revelou a obra, Silva disse que a construção custará cerca de R$ 2,1 milhões e que reuniu o dinheiro a partir de três fontes: um empréstimo de R$ 400 mil na Caixa Econômica, outro no Banco do Brasil, em valor não revelado, e a venda de um apartamento seu no valor de R$ 1,5 milhão.
Corretor de imóveis na região do Lago Sul consultado pela Folha foi ao local da obra e estimou que apenas o terreno valha hoje entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão. Considerando um acabamento final apenas mediano, o valor da casa, segundo o corretor, ficaria em cerca de R$ 4 milhões.
Silva, de 45 anos, filiado ao PR de Goiânia (GO), engenheiro civil formado em 1990 pela Universidade Católica de Goiás, é servidor público desde 1994.
Antes de assumir o cargo comissionado nos Transportes, Silva atuou no antigo Controle Interno do Executivo, atual CGU (Controladoria Geral da União), para onde deverá retornar após sua saída dos Transportes –até terça-feira (5) à tarde, Silva não havia procurado a CGU, segundo a assessoria de imprensa.
A casa que está sendo construída por Silva fica na QL 26, conjunto 8, a pouco metros do Lago Paranoá, num dos setores mais valorizados da região sul de Brasília.
De acordo com certidão emitida a pedido da Folha pelo cartório do 1º Registro de Imóveis de Brasília, o terreno foi adquirido por Silva e sua mulher por R$ 600 mil no dia 10 de novembro de 2009, quando ele já trabalhava no Ministério dos Transportes. Ele entrou na pasta em agosto de 2002.
A Folha esteve ontem no canteiro de obras da casa. Um dos operários informou que há pelo menos 25 colegas em atividade no local, e que a obra começou no ano passado.
O projeto da casa inclui piscina com hidromassagem e pelo menos três suítes. Estuda-se a necessidade de um elevador para ligar os três pavimentos.
O engenheiro responsável pela obra, Rodrigo Gabriel da Silva, disse que apenas Silva poderia dar informações sobre a construção.
Procurado desde terça-feira à tarde, o ex-chefe de gabinete de Nascimento não deu retorno aos telefonemas feitos pela Folha à sua casa.
Foram deixados recados em sua casa e também na assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes.

Fórum liderado por petistas quer os culpados na cadeia

Diante da situação do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, o Fórum Estadual de Combate à Corrupção, entidade que congrega organizações dos movimentos sociais, populares e sindicais, manifestou-se afirmando que apoia a realização de auditoria nos contratos e atividades do ministério. O Fórum tem, entre seus membros os deputados José Ricardo Wendling (estadual) e Francisco Praciano (Federal) do PT – que marchou junto de Alfredo durante campanha para governo do Amazonas no ano passado. O Fórum diulgou nota pela qual “veio a público apoiar a auditoria a ser realizada pela CGU (Controladoria-Geral da União) sobre as licitações, contratos e execucões de obras sob a responsabilidade do Ministério dos Transportes”. Por meio da nota, o Fórum alegou que “são graves as denúncias de irregularidades divulgadas pela imprensa relativas a superfaturamento de projetos, obras e desvio de conduta, como a cobrança de propina, onde figura como principal suspeito do esquema nada menos do que o presidente de honra do PR (Partido da República), Waldemar da Costa Neto”.
“A posição manifesta pelo fórum não se trata de julgamento antecipado contra os agentes públicos”, como diz a nota. E continua: “também não acreditamos que o afastamento e a demissão de funcionários ligados ao gabinete do ministro Alfredo Nascimento, possa resolver de forma definitiva a crise aberta com as denúncias”.
O Fórum de Combate à Corrupção não se limitou a elogiar as investigações e ‘pediu a cabeça’ do ministro republicano. “Consideramos ainda, para o bom desenvolvimento dos trabalhos da auditoria, que o ministro Alfredo Nascimento se afaste do cargo. Isto porque, segundo a denúncia da Revista Veja, o PR dividia a propina paga pelas empreiteiras entre o Diretório Nacional (60%) e as bancadas estaduais (40%) onde as obras do Ministério dos Transportes eram executadas”. Com isso, o PR e Alfredo Nascimento têm mais um sinal de distanciamento do PT. A nota enviada pelo Fórum finaliza pedindo que os culpados sejam punidos com rigor e pedem ‘cadeia’ para os corruptos. “Como expressão do sentimento popular e sindical e de combate a corrupção no Amazonas e no país, exigimos a apuração isenta das pressões ministeriais e que, uma vez confirmadas as irregularidades, os cofres públicos sejam ressarcidos e os responsáveis colocados na cadeia”, diz a nota.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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