Funcionários do núcleo de pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) farão hoje um dia de paralisação, e um ato às 10h em frente ao prédio da diretoria de pesquisa, na avenida Chile, Centro do Rio.
Diretora do Assibge (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas), Ana Magni disse que “há um sentimento de indignação” na categoria devido à suspensão da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
Ela ressaltou que 45 técnicos do núcleo de pesquisa expressaram, por meio de nota, seu descontentamento com o fato, e reforçaram que não havia necessidade de suspensão da divulgação da Pnad, como decidiu a diretoria executiva do IBGE há cinco dias.
Também estão previstos atos coordenados pelo sindicato em outras sedes do IBGE pelo Brasil.
A Diretoria de Pesquisas era comandada por Márcia Quintslr, que pediu exoneração por não concordar com a decisão de adiar a divulgação da Pnad Contínua apenas para 6 de janeiro de 2015.
A ex-coordenadora-geral da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas) Denise Britz do Nascimento Silva, também acabou pedindo exoneração.
Entenda o caso
A crise começou com o anúncio da presidente do instituto, Wasmália Bivar, na quinta-feira (10), de que a Pnad Contínua ficaria suspensa para que se aprimorasse a metodologia de cálculo da renda domiciliar per capita, de forma a atender as exigências previstas na lei complementar nº 143/2013.
De acordo com a legislação, o indicador passa a servir como base para o rateio do FPE (Fundo de Participação dos Estados). Os funcionários argumentam, no entanto, que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e que a suspensão da divulgação não tem qualquer fundamento técnico.
A ministra Miriam Belchior (Planejamento) negou ontem que o governo tenha interferido na decisão do IBGE de suspender a pesquisa ampliada sobre o desemprego no país.
Com dados mais completos sobre o mercado de trabalho em todo o país, a pesquisa mostrou desemprego de 7,1% no ano passado, enquanto o levantamento mais tradicional, limitado às seis maiores regiões metropolitanas, apontou uma taxa de 5,4%.
Anunciada na semana passada, a decisão de interromper a nova pesquisa provocou crise no IBGE, com pedido de demissão da diretora encarregada e críticas da área técnica.
“O IBGE tem plena autonomia”, disse a ministra, que repetiu a explicação oficial segundo a qual a interrupção da pesquisa foi motivada por dificuldades operacionais do instituto.
De acordo com a versão, o trabalho terá de incluir a partir de janeiro de 2015 dados sobre a renda familiar nos Estados, enquanto o IBGE havia se programado para obter esses números apenas em dezembro do próximo ano.
A estatística sobre a renda familiar se tornou obrigatória devido a novas regras aprovadas pelo Congresso para a repartição de verbas entre os Estados.
A ministra argumentou que o governo não tem motivos para esconder resultados historicamente favoráveis do mercado de trabalho.
“Não temos medo do debate sobre emprego”, disse.







