Garantia total do sistema elevaria tarifa

Em: 19 de dezembro de 2012
Diretor do ONS afirma que todas as obras recomendadas para segurança são inviáveis sem reajuste na conta de luz
Diretor do ONS afirma que todas as obras recomendadas para segurança são inviáveis sem reajuste na conta de luz

Garantir segurança total ao sistema elétrico elevaria muito a tarifa de energia, disse hoje o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp.
Ele explicou que hoje a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o MME (Ministério de Minas e Energia) selecionam, entre as várias obras recomendadas pelo ONS, apenas as prioritárias, para evitar assim que a conta de luz aumente muito.
“A Aneel não pode colocar todas as obras que a gente recomenda ao mesmo tempo, se não a tarifa vai lá para cima. Precisa ter um equilíbrio entre segurança e custo”, disse Chipp. “Aqui eu vou correr um pouco mais de risco, aqui eu não vou, para não deixar o preço subir assustadoramente.”
Segundo o diretor da ONS, os leilões da Aneel para construção de linhas de transmissão costumam oferecer apenas oito ou nove linhas, embora a recomendação do órgão seja maior. Quanto mais linhas, menor o risco, pois a transmissão de energia fica concentrada em menos canais. Para Chipp, o custo alto da “segurança total” do sistema geraria reclamações dos consumidores.
“Tem que ver a escala de gasto para tentar equilibrar com a tarifa. Senão tem a reclamação do outro lado: “Não, eu não quero pagar total segurança’. É igual quando você faz seguro de carro. Em função de suas posses, tem gente que faz seguro total, tem gente que faz seguro parcial. Quanto mais caro você paga, mais seguro você tem”, comparou.

Manutenção

Apesar de ter negado que a falta de manutenção tenha causado o apagão deste fim de semana, Chipp reconheceu que algumas subestações, como a de Itumbiara, são antigas e não têm a configuração necessária para as necessidades atuais.
Segundo ele, a determinação do comitê de monitoramento energético nessas subestações mais antigas, das décadas de 1970 e 1980, é detectar os ajustes necessários e avaliar até mesmo a necessidade de construir uma nova. “Enquanto ela tiver um arranjo que não comprometa, você vai identificando [o problema] na medida em que vai acontecendo”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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