Apontado como a redenção energética do Estado do Amazonas e o instrumento que iria impulsionar o PIM (Polo Industrial de Manaus), o gás natural agora é visto como um problema de extrema gravidade que, na opinião do deputado Marcos Rotta (PMDB), precisa ser enfrentado de forma conjunta pelo governo estadual com o governo federal e a sociedade para que a capital e o interior não acumulem mais frustrações. “O gás era a esperança dos veículos automotores, representava uma nova matriz energética”, diz o parlamentar.
Para ele, o problema do gás só será resolvido quando se achar uma solução adequada para o imbróglio financeiro criado em 2010 entre a Amazonas Energia, a Eletrobras e a Cigás (Companhia de Gás do Amazonas), o que prejudica, sobretudo, a Cigás, que monopoliza o gás no Estado e está impossibilitada de investir na sua rede de distribuição de energia na cidade de Manaus. Trata-se de uma dívida de R$ 120 milhões com a Eletrobras que a Cigás não consegue receber e frustra o sonho do consumidor manauense de ver reduzida a alta tarifa de energia elétrica.
Enquanto a dívida não se resolve, segundo Marcos Rotta, as esperanças passam a ser depositadas no Linhão de Tucuruí, uma obra de R$ 1,3 bilhão, que deve entrar em funcionamento em dezembro deste ano e deve ajudar no suprimento das demandas energéticas dos Estados do Pará, Amapá e Amazonas. “Mas, depois de pronto, o Linhão também será um desafio, pois a energia terá que ser convertida para chegar às residências”, adverte.
A conversão da energia, na verdade – prossegue o deputado -, já é um grave problema em Manaus, pois nem todas as usinas termelétricas realizaram o processo. “Isso mostra que os problemas entre as empresas Amazonas Energia, Eletrobras e Cigás precisam ser sanados para que elas trabalhem em parceria”, sustenta, ressaltando que o desentendimento e o desentrosamento entre as empresas apenas agravam o problema. “Em Manaus, a Cigás acelerou suas obras, mas a Amazonas Energia não acompanhou o ritmo, e o resultado é a crise”, afirma.
Sefaz
De acordo com Marcos Rotta, o governo estadual, para ajudar a amenizar o problema e melhor respaldar as ações da Cigás, acaba de providenciar, por meio da Secretaria da Fazenda-Sefaz, um profundo estudo técnico-jurídico com o objetivo de verificar a legalidade da captação de gás feita pela Refinaria de Manaus-Reman. O procedimento da Refinaria foi qualificado como “um desvio” denunciado pelo diretor-presidente da Cigás, Lino Chíxaro, em recente cessão de tempo na Assembleia Legislativa. Conforme Lino, o “desvio” estaria lesando os cofres estaduais em R$ 11 milhões. “Por isso o estudo técnico-jurídico, se o procedimento estiver correto continuará a ser feito, mas, do contrário, o governo do Estado e a Assembleia Legislativa terão que intervir, porque existe uma sangria muito grande de recursos acontecendo”, destaca.






