O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse ontem que os gastos do governo federal vão crescer menos do que o a economia brasileira neste ano.
Dados divulgados ontem pelo Tesouro mostraram que as despesas cresceram 9,8% no primeiro semestre, abaixo do crescimento projetado para o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) no período, de 12,8%. Os números se referem ao crescimento nominal das despesas e do PIB, sem descontar a inflação.
“A estatística mostra que, no primeiro semestre, houve uma importante contribuição da redução das despesas do governo”, disse o secretário.
Arrecadação do governo
Augustin destacou também que, pela primeira vez, o percentual de queda nos gastos superou o de aumento das receitas em relação ao crescimento do PIB nominal. As receitas, infladas pela arrecadação do governo, cresceram 2,6% acima do PIB, enquanto as despesas caíram 2,7% na mesma comparação.
O secretário do Tesouro estima que, mesmo com o aumento de gastos do governo no final do ano, principalmente por causa do reajuste dos servidores, será possível fechar o ano com um aumento de despesas inferior ao crescimento do PIB.
Investimentos do governo
As despesas do governo com pessoal e custeio também cresceram menos neste ano em relação a 2007. O aumento de gastos com pessoal foi de 7,7% no primeiro semestre de 2008, ante 13,7% no mesmo período do ano passado. Em relação ao custeio, a desaceleração foi de 16% para 8,1%.
Por outro lado, os investimentos do governo tiveram crescimento de 34,5% no semestre, ante 22,2% no mesmo período de 2007.
Em relação ao PPI (Programa Piloto de Investimentos), os gastos dobraram na comparação semestral e chegaram a R$ 2,725 bilhões nos seis primeiros meses de 2008.
O PPI permite que os investimentos feitos em obras de infra-estrutura consideradas prioritárias sejam abatidos do superávit primário. O limite para esse é abatimento é de R$ 13,8 bilhões, segundo a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2008.
Superávit primário
O aumento menor das despesas no primeiro semestre de 2008 (9,8%) em relação ao ano passado (13,4%) foi um dos fatores que ajudou o governo federal a registrar aumento no superávit primário (a economia para pagar os juros da dívida).
O superávit primário cresceu 44,4% e chegou a R$ 61,370 bilhões no semestre.
Em 12 meses, o resultado acumulado é de R$ 76,5 bilhões, o equivalente a 2,82% do Produto Interno Bruto.
A meta do governo central para o ano é de R$ 63,4 bilhões (2,2% do PIB) mais R$ 14,2 bilhões (0,5% do PIB) para o Fundo Soberano, um total de R$ 77,6 bilhões (2,7% do PIB).






