A natureza das redondezas de Manaus esconde paraísos que a grande maioria dos manauaras desconhece e que alguns poucos desfrutam, geralmente nos finais de semana. A bacia do rio Tarumã é um desses paraísos, enriquecido com a presença dos flutuantes, locais onde a comida regional, à base de peixes, é o carro chefe dos cardápios, além do café da manhã ser uma tentação para qualquer um.
O Sabor da Amazônia é um desses flutuantes, funcionando há apenas seis meses. Conceição e Benedito, o casal de proprietários, e o filho Victor, comemoram o sucesso do empreendimento que surgiu por acaso, ocupando o espaço da garagem desativada (sobre um flutuante) de um iate.
“Meu pai foi o comandante desse iate durante mais de 20 anos até que, no ano passado, o dono do iate decidiu que iria vender a embarcação. Meu pai já havia morrido, mas sempre morara aqui perto. Eu me criei aqui, então ele me cedeu o espaço para montar o restaurante no flutuante e eu, que sempre gostei de trabalhar com comida, não pensei duas vezes pra movimentar o negócio”, contou Ceiça, a Conceição.
Ceiça perdeu a mãe muito cedo, mas ela ensinara as filhas a fazer diversos tipos de comida, o que lhes é útil há muito tempo. “Desde crianças nós fazemos comidas, minha irmã Valdelice, mais doces e salgados, e vendemos para as pessoas da região e para quem vem aqui, nas embarcações, nos finais de semana. Já somos muito conhecidas. Quando meu irmão deu a ideia de montarmos o restaurante, só demos continuidade ao que já fazíamos”, falou Ceiça.
Benedito se encarregou em transformar o visual da antiga garagem no visual regional do restaurante, com bambus retirados das imediações e mesas e cadeiras feitas com madeiras do local. Para completar, Ceiça se aperfeiçoou com cursos sobre gastronomia e gosta de enfatizar que a higiene está acima de tudo, tanto no ambiente quanto nos alimentos que prepara e serve.
Delivery na floresta
O Sabor da Amazônia começa a atender aos clientes a partir das 8h, diariamente, com o café da manhã. Café com leite, sucos e refrigerantes, mais pães e tapiocas (estas com preços que variam de R$ 4, a R$ 12, dependendo da quantidade de recheios). “Meu sonho sempre foi ter uma panificadora, então eu mesma faço os pães servidos no café da manhã. A Valdelice continua responsável pelos doces e salgados”, esclareceu Ceiça.
Para completar o café ainda tem cuscuz, macaxeira e cará, ovos mexidos ou fritos, bolo caseiro, mingau, farofa e banana frita, com preços que vão de R$ 3,50 a R$ 12.
E quem imaginaria que, em plena floresta, sobre as águas do Tarumã Açu, um bote desliza tranquilamente prestando serviço de delivery? “Como eu falei antes, eu e a Valdelice somos bastante conhecidas aqui, então as pessoas pedem o café da manhã e o almoço e nós mandamos entregar”, explicou.
Para o almoço, que dura até às 15h30, o cardápio é básico, mas o suficiente para agradar a quem chega faminto ao Sabor da Amazônia. Como entrada, pão com alho e caldinho de feijão; ou acompanhamentos: arroz branco, baião de dois, vinagrete, farofa, farinha do uarini, macaxeira frita e purê de macaxeira, com preços que vão de R$ 3,50 a R$ 12,90.
Entre os pratos principais, destaque para a sardinha frita ou assada na folha de bananeira (R$ 24,90), ou ainda pacu (assado ou frito) e jaraqui (frito, os dois pratos a R$ 20, cada). E não poderia faltar o imbatível tambaqui: frito (R$ 24,90); picadinho ou escondidinho (R$ 28,90) ou assado, digno de quem só quer curtir o final de semana e esquecer os problemas (R$ 50, o pequeno a R$ 140, o enorme). Na sobremesa, banana frita com açúcar e canela, ou escondidinho doce (bolo com sorvete e calda).
O ideal para se chegar ao Sabor da Amazônia é vir de lancha. Fica em frente ao Ecopark, na náutica da Vivenda Verde. Para quem vem de carro o caminho é a estrada da Vivenda Verde. Na bifurcação, virar para a esquerda e seguir até a prainha. De lá, ligar para o Benedito (9 9151-5392 ou 9 9215-8780). Ele busca a (s) pessoa (s) e leva até o flutuante.
Evaldo Ferreira
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