Gavião-real tem menor diversidade genética

Em: 27 de janeiro de 2010
O gavião-real (Harpia harpyja), maior ave de rapina das Américas, também é uma das espécies brasileiras que tem sofrido com o desmatamento
O gavião-real (Harpia harpyja), maior ave de rapina das Américas, também é uma das espécies brasileiras que tem sofrido com o desmatamento

O gavião-real (Harpia harpyja), maior ave de rapina das Américas, também é uma das espécies brasileiras que tem sofrido com o desmatamento. Ameaça à ave é sentida pela diminuição da sua diversidade genética, o que implica na perda da capacidade de adaptação a possíveis mudanças ocorridas no meio ambiente.
Diversidade genética é um termo usado para medir a variação de segmentos de DNA das populações de espécies. No caso do gavião-real, a diminuição da diversidade somada à degradação ambiental da floresta amazônica e da Mata Atlântica, locais onde a espécie ainda é encontrada, pode aumentar os riscos de extinção.
“Quanto maior a variabilidade, maior a taxa de reprodução e sobrevivência das espécies, além de maiores suas chances de adaptação à mudanças ambientais”, confirmou o biólogo Aureo Banhos.
O pesquisador é o autor da tese “Genética, Distribuição e Conservação do Gavião-Real”, desenvolvida durante o curso de doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
Foram analisadas amostras de DNA de exemplares históricos e atuais da ave no Brasil. Os números obtidos por meio das amostras de exemplares da Mata Atlântica indicam que, de 1963 a 2008, o gavião-real da região teve redução de aproximadamente 22% na diversidade genética comparado ao período de 1911 a 1953.
Quando os números se referem à região do arco do desmatamento em comparação com as regiões mais preservadas da Amazônia, a diversidade genética é ainda menor, de aproximadamente 20% na região desmatada.
A tese de Banhos também comparou e avaliou a distribuição da variabilidade genética das harpias entre a Amazônia e a Mata Atlântica. Ele constatou que, apesar de não existir diferença genética significativa entre as populações dos dois biomas, elas possuem uma pequena distinção relacionada a herança materna, o que sugere que os machos migram mais que as fêmeas.
“As aves fêmeas de outras espécies, em geral, dispersam mais que os machos. Aparentemente, nas harpias ocorre o contrário. Temos de observar o comportamento da ave em campo para confirmar se os machos realmente se dispersam mais. A descoberta pode auxiliar na elaboração de estratégias de conservação”, disse.
Apesar de o gavião-real ter sido retirado em 2003 da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, dados da tese de Banhos demonstram que a perda de grande parte da cobertura florestal brasileira nos últimos 50 anos foi responsável pela redução de cerca de 30% da distribuição da espécie no país.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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