Geo-Holística – Alimentos vérsus biocombustíveis

Em: 14 de abril de 2008
Há pouco tempo atrás eu havia comentado nesta coluna sobre os riscos que os biocombustíveis poderiam trazer para a economia global,
Há pouco tempo atrás eu havia comentado nesta coluna sobre os riscos que os biocombustíveis poderiam trazer para a economia global,

Há pouco tempo atrás eu havia comentado nesta coluna sobre os riscos que os biocombustíveis poderiam trazer para a economia global, em relação à produção de alimentos, no que tange ao atendimento da demanda da população mundial. Neste sentido já foi dado o alerta oficial, pelo presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, ao comentar os impactos que os biocombustíveis trazem à oferta e, conseqüentemente, ao preço dos alimentos. Isto porque, na última semana, vários representantes de nações com grandes áreas cultiváveis, a exemplo do Brasil, debateram em algumas pautas a necessidade do aumento na produção agrícola com o argumento de que a qualidade de vida melhorou para muitas das populações ditas empobrecidas e que este efeito resultou em aumento no consumo de alimentos, de modo inflacionário.
Este é o paradoxo do crescimento econômico e não de um desenvolvimento dito sustentável. Isto é, o governo brasileiro -além de outros- faz um discurso progressista e não desenvolvimentista, no sentido estrito da palavra. Tal visão equivocada entre estes dois conceitos exige qe se considere o fato de que a inflação mundialmente generalizada da comida pode custar pelo menos, sete anos na briga contra a pobreza mundial, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Vale ressaltar que as populações de baixa renda gastam cerca de 75% de sua receita com comida. Como a economia global irá suportar aumentos em níveis históricos nos preços do arroz, próximos a 75% em todo o mundo? E no caso do trigo, que subiram 120% no último ano. Nos últimos três anos, os preços dos alimentos aumentaram em média 83%.
Na mesma direção a produção de biocombustíveis e os crescentes aumentos no custo da energia e dos fertilizantes, além do dólar enfraquecido e proibições das exportações, contribuíram para esse comportamento das commodities agrícolas, como resultado da preocupação dos governos mundiais com os preços do petróleo, segurança energética e mudanças climáticas, o que provocou grande procura por trigo, soja, milho e óleo de palma, matérias-primas mais utilizadas na produção de biocombustíveis.
Como resolver esta crise? Ainda estamos longe disto, apesar de tentativas globais, tais como o “Novo Trato de Política Alimentar Global” proposto pelo Banco Mundial, que disponibilizará cerca de US$ 800 milhões em empréstimos para a agricultura sub-saariana da África em 2009. Já no Brasil a produção do etanol está diretamente ligada ao encarecimento dos alimentos. Entretanto, mesmo considerando a eficiência dos combustíveis feitos de cana-de-açúcar e seus benefícios na menor emissão de gases que causam o efeito estufa, podemos nos defrontar com situações de risco econômico num futuro próximo, basta observar que, segundo a Abrace (Associação Brasileira dos Cerealistas), de janeiro a novembro do ano passado, o preço do quilo do feijão aumentou, em média, mais de três vezes (250%), ou seja, de R$2,00 para R$7,00. Tal comportamento estaria sendo motivado pelo aumento da área destinada ao plantio de cana-de-açúcar, em detrimento das commodities agrícolas.

Gigante em agonia
A situação crítica do mercado municipal Adolpho Lisboa é simplesmente lamentável, como também é lastimável não responsabilizar o poder público e suas autoridades constituídas, considerando que tal edificação é um patrimônio público, portanto, da sociedade como um todo. Neste sentido, não há que se esperar pelo pior, mas agir em favor de uma solução rápida e urgente. Neste contexto urge a interveniência do Ministério Público pelo seu papel de fiscal da sociedade ante os poderes constituídos. Caso contrário, só nos restará lamentar por uma tragédia anunciada, ante a insensibilidade dos atores envolvidos na reforma e revitalização deste monumento de nossa história arquitetônica. Continuo a dizer que o destino do Adolpho Lisboa não é mais servir de mercado de gêneros alimentícios e sim de um grande mercado de hábitos culturais expostos de forma moderna

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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