No mês de setembro, o Amazonas gerou 2.612 novos postos de trabalho com carteira assinada. Essa é a diferença entre trabalhadores admitidos e demitidos no mês, o que representa alta de 48,2% em relação a setembro de 2012. A indústria de transformação foi a principal responsável pelo bom desempenho, com saldo de 2.480 vagas. O comércio, por outro lado, demitiu mais do que contratou. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Apesar do bom desempenho da indústria, a maioria dos setores econômicos apresentam resultados negativos. É o caso do Comércio que, segundo os dados do Caged, teve retração de 81 vagas; serviços (-8) e administração pública (-13). A construção civil, por outro lado, mostrou recuperação, com saldo positivo de 307 vagas.
No caso específico do comércio, o presidente da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, ressalta que o resultado de setembro pode ser atribuído a razões sazonais. Trata-se de um mês com menos dias úteis por causa da Semana da Pátria, quando muitos lojistas aproveitam para enxugar o quadro de funcionários.
“Setembro é um mês de vendas fracas. A semana dos dias 5 e 7 é praticamente perdida. Então ocorrem demissões, assim como o cadastramento de novos funcionários”, explica o dirigente. Na avaliação de Assayag, o comércio local tem uma grande oferta de vagas que os lojistas não conseguem preencher devido à dificuldade para encontrar profissionais com perfil adequado. “Nós treinamos, o Sebrae treina, mas, como a oferta é grande, as pessoas não se preocupam muito com seu emprego, trocam com muita facilidade”, comenta.
O presidente da Fetracom (Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado do Amazonas), Elias Sereno, concorda que falta qualificação para a mão de obra em Manaus, mas ressalta que nunca houve programas sérios de treinamento para os trabalhadores do comércio. “Nosso setor sempre ficou à margem da qualificação. Todos os olhos estão sempre voltados para a indústria”, ponderou.
Atualmente, o comércio manauara emprega aproximadamente 200 mil pessoas. “São dois Distritos Industriais. Estamos discutindo com a classe empresarial e com o poder público formas de promover a qualificação dessas pessoas”, adiantou Sereno.
Construção civil
Assim como a indústria, a construção civil também apresentou saldo positivo na geração de empregos em setembro, com diferença de 307 postos de trabalho. Os números do Caged mostram que o setor está mais aquecido que em setembro de 2012, quando o saldo foi de apenas 28 empregos.
O presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Eduardo Lopes, explica que o mercado é muito sensível a novas obras. Basta uma grande obra ser lançada para que haja impactos significativos nos números da mão de obra. “Como estamos em ano que antecede a Copa do Mundo, é natural um aquecimento. Mas nossa expectativa de crescimento para este ano gira está em torno de 2% a 3%”, disse o empresário.
Melhor resultado desde setembro de 2010
A melhora dos fundamentos da economia brasileira alardeada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e por seu secretário de Política Econômica, Márcio Holland, aparentemente já se fizeram presentes na geração de empregos formais de setembro. Segundo informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgadas nesta quarta-feira (16), o saldo líquido de 211,068 mil postos de trabalho formais no mês passado é o melhor desde setembro de 2010, quando o saldo entre as contratações e as demissões foi de 246,9 mil postos.
E de acordo com o economista da LCA Consultores, Fábio Romão, entre os vários fundamentos que contribuíram para este resultado do Caged está a desaceleração da inflação. Pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), na leitura do acumulado de 12 meses, a inflação caiu de 6,70% no período encerrado em julho para 5,86% em 12 meses encerrados em setembro.
“É lógico que a inflação ainda continua muito alta, o que prejudica o ganho de rendimentos, mas a coisa já esteve muito pior”, ressalta o economista da LCA Consultores. Todos os sinais, pelo menos por enquanto, de acordo com Romão, são de que a recuperação do emprego formal tende a continuar. “Pode até não ser no mesmo ritmo observado em setembro, mas será superior ao que vimos nos últimos meses de 2012”, previu Romão.
O resultado do Caged em setembro, segundo o economista, contém algumas outras propriedades que o coloca no roll dos indicadores econômicos merecedores de destaques. É, por exemplo, o mais próximo do dado de 2011 (209,1 mil empregos com carteira assinada), que foi seguido por uma desaceleração, em 2012, para 150,3 mil novos postos de trabalhos formais.
“Olhando ao longo de 2013, depois do resultado ruim de julho (41.463 vagas), a pergunta que se fazia era se a recuperação de agosto (127.648 vagas) era um ponto fora da curva ou se representava uma tendência”, lembra Romão, ressaltando que sua resposta para esta pergunta sempre foi de que a situação do emprego tendia a melhorar para levar 2013 a terminar melhor que 2012.
A desaceleração do ritmo de alta da inflação, com impactos no resultado acumulado em 12 meses, de acordo com Romão, repercutiu positivamente nos segmentos de serviços, comércio e construção civil porque preservou os rendimentos. “Pela ordem, estes três segmentos tiveram em setembro resultados (em termos de geração de empregos) melhores que em setembro de 2012”, disse o economista
Outro ponto positivo do Caged é o comportamento da indústria, que gerou empregos numa quantidade muito próxima da registrada em setembro do ano passado.
Com Agência Brasil






