O gerenciamento de aposentadorias e pensões ainda é um fenômeno distante de grande parte das organizações brasileiras de ciência e tecnologia. E isso é decorrência do que chamamos de amadorismo do gerenciamento de pessoas dessas organizações, que se caracteriza pelo desconhecimento de procedimentos e técnicas gerenciais passíveis de serem aplicadas a cada uma das áreas de responsabilidade dessa especialidade gerencial, assim como da eticidade gerencial e do comprometimento organizacional para com os seus servidores. Isso quer dizer que, primeiro, a organização que não tem uma equipe de gestão das aposentadorias e pensões vê no servidor apenas um recurso que, com o tempo, poderá ser descartado; segundo, que quem gerencia as pessoas nessas organizações desconhece as inúmeras fontes de objetivos que organização e servidores em período de aposentadoria podem compartilhar; e terceiro, que gestores e organizações desconhecem os benefícios que podem auferir ao garantir às famílias dos servidores a segurança contra quaisquer sinistros.
Este artigo tem como objetivo mostrar as funções do gerente de aposentadorias e pensões nas organizações de ciência e tecnologia.
A aposentadoria é um fim a que todo servidor precisa estar preparado. Dito de outra forma, a aposentadoria representa um estágio de evolução pessoal e profissional, o que jamais pode significar inação ou incapacidade. Como um estágio, a aposentadoria é o início de outra fase produtiva do indivíduo cujos valores quase sempre são diferentes daqueles cultivados nos estágios anteriores e que, muitas vezes, são a culminância ou brilho de competências adquiridas ao longo da vida.
Dessa forma, organizações cujo gerenciamento se concentrou no desenvolvimento integral do ser humano têm nos aposentados uma fonte inesgotável de preparação e tutela de novos profissionais, de maneira que os investimentos feitos nos que saem reverberam positivamente na maximização da capacidade dos que entram e dos que permanecem.
Evidentemente em que há casos em que as aposentadorias coincidem com a redução das potencialidades individuais para algumas profissões e atividades; em outras vezes, a aposentadoria é antecipada por decorrência de alguma adversidade laboral. Com exceção dos casos de incapacidade física e das psicopatologias degenerativas, os servidores aposentados continuam com elevada capacidade de realização. É por isso que muitas organizações de ciência e tecnologia de ponta no mundo todo mantêm esses profissionais ligados a elas de alguma forma. Cientistas, técnicos e profissionais de todos os setores, com altíssima capacidade de realização, não podem ser colocados de lado sem representar perdas imensas a essas organizações. E isso é consenso entre elas.
O gerente de aposentadorias precisa programar, portanto, tanto a curva de aprendizado individual dos profissionais quanto a relação que sua organização manterá com eles depois da aposentadoria. Isso implica na necessidade que essa unidade organizacional precisa tomar para si tanto a parte burocrática de preparação e formalização legal dos trâmites de aposentadoria quanto na programação do aproveitamento da capacidade produtiva desses profissionais durante a aposentadoria. Orientações e informações complementam a responsabilidade desta gerência, contra a o que se presencia hoje em dia, em que aos profissionais em fase de saída da organização são praticamente abandonados à própria sorte para vencer as diabruras da burocracia e mais ainda depois de saírem. É como se nunca tivessem existido.
A mesma preocupação e profissionalismo também é válido para as pensões. Parece já ser de praxe a negação do estado e das organizações de ciência e tecnologia em reconhecer a incapacidade do profissional para o trabalho (evidentemente que há inúmeros casos de fraudes). A impressão que se tem é que essas instituições existem para impedir a qualquer custo que alguém, incapacitado para o trabalho durante o exercício do trabalho, tenha na prática o direito que a lei lhes assiste. O mesmo vale para os servidores que pagaram para que suas famílias tenham algum benefício, caso percam a vida ou se tornem incapazes ou inválidos para o labor. É necessário, portanto, uma relação de parceria, confiança, entre servidores e organizações de ciência e tecnologia para que o servidor se sinta seguro tanto com relação ao cumprimento dos acordos de sustento de suas famílias, no caso de sinistros, quanto dele, quanto na incapacitância. E ao gerente de aposentadorias e pensões compete honrar esses compromissos.
As organizações que têm histórico de cumprimento desses acordos quase sempre atraem os profissionais de mais elevada capacidade de realização e produção. Isso lhes deixa mais à vontade e despreocupados para elevarem ainda mais suas produções, de maneira que os resultados organizacionais no ensino, pesquisa, extensão, inovação e empreendedorismo tecnológicos crescem continuamente. É bastante diferente da grande maioria dessas organizações, gerenciadas de forma improvisada e amadora, em que a mediocridade e os resultados insatisfatórios grassam em todos esses setores. No caso dos aposentados, durante o período de saída da organização é justamente quando alcançam o ponto máximo de suas capacidades de realizações, o que seria de lastimar que tesouros como esses possam ser desperdiçados ou simplesmente entregues para outras organizações.
Como tudo no universo, a capacidade de realização humana se potencializa, mas depois de certo tempo começa a reduzir. Isso é normal em quase todos os tipos de servidores. Menos nos de ciência e tecnologia. Suas capacidades de realização permanecem elevadas até o fim da vida, a menos que alguma incapacidade física ou psíquica lhes atinjam. Para que essa capacidade permaneça disponível para a organização até o fim da vida, é necessário que haja um esquema gerencial para tal; da mesma forma, para que o servidor se sinta seguro para se dedicar de corpo e alma à produção, é necessário que haja um esquema de gestão para isso. São esses os dois grandes desafios do gerente de aposentadoria e pensões.







