O governo federal adiou para 14 de novembro a definição da proposta que o Brasil vai levar para a Cop-15 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em dezembro, em Copenhague (Dinamarca). O governo quer mais tempo para detalhar as medidas que serão tomadas por setores como agricultura e siderurgia para redução de emissões nacionais de gases de efeito estufa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem, em Brasília, com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Celso Amorim (Relações Exteriores), para formatar sua proposta para a conferência, mas não chegou a um consenso.
De um lado, Carlos Minc defende a redução de 40% das emissões até 2020. Do outro, os representantes das outras pastas consideram a proposta inadequada para o momento, por conta da postura da China e da Índia, que abertamente se declaram contrárias a uma meta para a redução. Os dois países, costumam ser aliados do Brasil em assuntos ambientais, mas o Ministério das Relações Exteriores teme constranger os parceiros ou até mesmo ficar isolado na Cop-15. Até o momento, a única proposta consensual é a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020.
Pelos cálculos do governo, com a redução do desmatamento, o Brasil deixaria de emitir em torno de 580 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. “É igual a todo o esforço americano se a lei deles passar no Senado”, comparou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O controle nesse patamar seria suficiente para baixar os níveis de emissões nacionais em cerca de 20%. Para chegar ao número final, o governo vai calcular a redução possível em outros setores. A soma das outras medidas deve ficar entre 17% e 20%.
“Vamos tomar medidas nas áreas de energia, agropecuária, siderurgia e desmatamento em outros biomas. Com a soma de esforços vamos chegar a um número significativo”, declarou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ministra afirmou, no entanto, que a proposta brasileira a ser definida não necessariamente trará os números de redução de emissões em cada setor.
Áreas degradadas
Carlos Minc, não descarta o número proposto por sua pasta, de redução de 40% das emissões até 2020, considerando crescimento econômico de 4% ao ano. Segundo o ministro, na reunião, foram apresentadas opções considerando cenários de crescimento da economia de 5% e 6% ao ano, a pedido da ministra Dilma.
Minc adiantou que a contribuição da agricultura será fundamental, com ações de manejo, plantio direto e recuperação de áreas degradadas. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participou da reunião mas deixou o encontro sem falar com a imprensa.
Parte das ações de mitigação do governo brasileiro vão depender de recursos internacionais. O financiamento é justamente um dos pontos que travou a negociação do novo acordo climático global.
De acordo com o ministro Celso Amorim, o Banco Mundial estima que sejam necessários pelo menos US$ 400 bilhões por ano para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças climáticas. Até agora, a única proposta na mesa, da União Europeia, fala em recursos de US$ 140 bilhões.







