Governo adia para 2008 escolha do novo padrão de rádio digital

Em: 16 de outubro de 2007
O ministro das Comunicações havia dito que a decisão poderia sair já no mês passado e que a tendência era a de escolher o padrão americano para as emissoras AM e FM
O ministro das Comunicações havia dito que a decisão poderia sair já no mês passado e que a tendência era a de escolher o padrão americano para as emissoras AM e FM

O governo vai adiar para o próximo ano a decisão sobre a escolha do padrão de rádio digital que será adotado no Brasil. O assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa, disse que os problemas detectados no padrão americano de rádio di­gital (Iboc) têm “assustado” a Casa Civil.

“A Casa Civil está preocupada em não tomar uma decisão de afogadilho”, disse Barbosa, após participar de audiência pública na Comissão de Educação do Senado para discutir uma proposta de Lei Geral de Comunicação Eletrônica de Massa. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, havia dito que a decisão poderia sair já no mês passado e que a tendência, apoiada pelos radiodifusores, era a de escolher o padrão americano para as emissoras AM e FM, porque é o único que permite o funcionamento simultâneo do sistema de rádio digital e do analógico. Para as emissoras de ondas curtas, usadas principalmente na Amazônia, seria escolhido o padrão europeu.

Barbosa disse que o próprio Hélio Costa sugeriu que, antes da escolha do padrão, uma de­legação do governo brasileiro vá aos Estados Unidos para se reunir com representantes do órgão regulador americano (Federal Communications Commission), emissoras de rádio e universidades. “Achamos melhor visitar os Estados Unidos e tomar uma decisão que inclua a universidade brasileira”, afirmou.

A idéia é aproveitar a mobilização dos pesquisadores brasileiros em torno da TV digital para aprimorar o sistema de rádio, o que, na opinião de Barbosa, deve levar cerca de seis meses. A preocupação, segundo o assessor, é com o alcance da medida, já que o Brasil tem hoje a segunda maior estrutura de rádio do mundo, com 7.600 emissoras (incluindo as rádios comunitárias), perdendo apenas para os Estados Unidos, que têm mais de 13 mil emissoras de rádio.

Barbosa disse que já solicitou ao DRM –detentores do sistema europeu– que desenvolvam a possibilidade de funcionamento simultâneo dos sistemas digital e analógico. “O DRM não mostrou nenhuma boa vontade em oferecer ‘simulcast’ na mesma banda com rapidez”, afirmou.

Raio de alcance

Além de interferência entre os sinais digitais e analógicos, também há redução no raio de alcance. Segundo Barbosa, uma emissora FM tem um raio de alcance de 110 quilômetros no sistema analógico, o que cai para 70 quilômetros no digital. “Imagina para uma rádio co­mercial perder 40 quilômetros no raio de alcance? Vai perder audiência, anunciante, é um problema sério”, afirmou.

Também foi verificado, segundo Barbosa, um atraso de 5 a 8 segundos na recepção do sinal digital em relação ao analógico. Barbosa alerta para o fato de que menos de mil rádios dos Estados Unidos se digitalizaram, principalmente pelo alto custo da migração para o novo sistema. Há ainda o problema do “radinho de pilha” digital, já que a bateria tem vida útil muito curta. “Hoje, a bate­ria acaba logo, isso derruba o cara que quer ir ao jogo de futebol”, comentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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