Governo central tem maior superavit primário da história

Em: 27 de outubro de 2010
O superavit somou mais de R$ 26 bilhões, puxado pelos recursos que entraram nos cofres do governo com a capitalização da Petrobras
O superavit somou mais de R$ 26 bilhões, puxado pelos recursos que entraram nos cofres do governo com a capitalização da Petrobras

As contas do governo central – que reúne o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o BC (Banco Central) – apresentaram em setembro o maior superavit primário da história, de R$ 26,056 bilhões, graças aos recursos que entraram nos cofres do governo com a capitalização da Petrobras.
O resultado, que indica a economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública, ficou dentro do intervalo previsto pelos analistas, de superavit de R$ 22,7 bilhões a R$ 32,2 bilhões.
Segundo os dados divulgados ontem, o Tesouro Nacional apresentou, no mês passado, um superavit de R$ 35,234 bilhões, enquanto o BC teve um saldo positivo de R$ 12,6 milhões. Já a Previdência Social apresentou um deficit primário de R$ 9,191 bilhões.
No acumulado de 2010 até setembro, as contas do governo central registram um superavit de R$ 55,706 bilhões, o equivalente a 2,14% do PIB (Produto Interno Bruto).
O Tesouro acumula, no mesmo período, um superavit de R$ 95,878 bilhões, enquanto a Previdência tem um deficit de R$ 39,767 bilhões e o BC um saldo negativo de R$ 403,5 milhões.
Em 2009, as contas do governo central acumulavam até setembro um superavit de R$ 15,618 bilhões, o equivalente a 0,68% do PIB. O superavit de janeiro a setembro de 2010 é R$ 40,1 bilhões superior ao apurado no mesmo período do ano passado.

Investimentos cresceram

Os investimentos totais do governo central cresceram 56,6% no acumulado de janeiro a setembro de 2010, em relação a igual período do ano passado. Segundo o Tesouro, os investimentos atingiram R$ 32,2 bilhões no período. Nos nove primeiros meses de 2009, eles haviam somado R$ 20,6 bilhões.
Os investimentos que fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) somaram R$ 14,249 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, o que indica uma alta de 50% ante os R$ 9,492 bilhões do mesmo período de 2009.

Petrobras assegurou superavit

Não fossem os recursos extraordinários originados pela capitalização da Petrobras, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teria registrado em setembro um deficit primário de R$ 5,8 bilhões. Esse seria o pior resultado primário em um ano.
Mas esse número foi obtido graças aos R$ 31,9 bilhões de receita extra originada da engenharia financeira montada pelo governo na capitalização da Petrobras.
Ao se subtrair a arrecadação extraordinária obtida com a manobra contábil do resultado efetivo do mês, chega-se aos R$ 5,8 bilhões.
O superavit primário corresponde à economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública.
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, saiu em defesa da operação de capitalização da Petrobras, cuja engenharia financeira feita pelo governo garantiu a receita extra aos cofres da União. “É uma receita de concessão como outra qualquer, como sempre foi”, defendeu.
Segundo ele, a operação da Petrobras “causou alegria” ao governo.
O secretário evitou, no entanto, fazer comentários sobre o fato de que, sem as receitas da Petrobras, as contas do governo central em setembro teriam apresentado um deficit primário. “Não fazemos a conta dessa forma, retirando uma das receitas. Teríamos que refazer toda a série”, justificou Augustin.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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