Governo da Bolívia reage contra à menor demanda do Brasil por gás

Em: 9 de janeiro de 2009
Assesores do Ministério dos Hidrocarbonetos boliviano, informaram à BBC Brasil, que o governo da Bolívia vai tentar reverter a decisão da Petrobras de diminuir a quantidade de gás boliviano comprado pelo Brasil
Assesores do Ministério dos Hidrocarbonetos boliviano, informaram à BBC Brasil, que o governo da Bolívia vai tentar reverter a decisão da Petrobras de diminuir a quantidade de gás boliviano comprado pelo Brasil

Assesores do Ministério dos Hidrocarbonetos boliviano, informaram à BBC Brasil, que o governo da Bolívia vai tentar reverter a decisão da Petrobras de diminuir a quantidade de gás boliviano comprado pelo Brasil e que mandará uma missão oficial para o país ainda nesta semana para discutir a questão.
A redução na quantidade do combustível comprado pelo Brasil -maior importador do gás boliviano- foi o assunto principal da reunião ministerial que ocorreu na quarta-feira no Palácio Queimado, sede da Presidência.
Além desta redução, as autoridades bolivianas pretendem discutir um novo preço para o combustível enviado ao mercado brasileiro, segundo os assessores ouvidos na quinta-feira.
“No ano passado, o Brasil disse que não iria ceder uma molécula de gás para a Argentina e agora decide comprar menos”, disseram os assessores do ministério, em referência a uma declaração do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que em fevereiro de 2008 afirmou que o país não poderia ceder gás ao país vizinho (Argentina), como havia feito em 2007.
De acordo com o Ministério dos Hidrocarbonetos, o contrato de exportação de gás ao mercado brasileiro prevê que a compra de gás boliviano não pode ser inferior a 24 milhões de metros cúbicos por dia -o limite máximo previsto é de 31 milhões de metros cúbicos diários.
Segundo o ministério boliviano, mesmo consumindo menos, pelos termos do contrato, o Brasil deverá pagar por 24 milhões de metros cúbicos diários.
Autoridades brasileiras, no entanto, afirmam que o pagamento pelo gás não importado só deve ser feito se o volume comprado for inferior a 19 milhões de metros cúbicos.
Na Bolívia, não foi informado oficialmente o total desta redução, que começou a ser registrada em dezembro e se intensificou esta semana, de acordo com reportagem do jornal boliviano La Razón.
Mas, segundo a publicação, fontes do governo do presidente Evo Morales e das petroleiras informaram que esta queda foi de cerca de 33%, passando dos 31 milhões, que Brasil chegou a consumir, para cerca 20 milhões de metros cúbicos, na segunda-feira, 5 de janeiro.
Ainda segundo o jornal, além do Brasil, a Argentina -segundo principal mercado do combustível boliviano- também teria reduzido a compra de gás.
A exportação do combustível é uma das principais fontes de recursos do caixa boliviano.
Na quarta-feira, o secretário-adjunto de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia do Brasil, João Souto, confirmou que a Petrobras reduzirá temporariamente a compra do gás da Bolívia.
De acordo com a Petrobras, a redução ocorre depois que as usinas termelétricas movidas a gás no Brasil foram desligadas para dar lugar à geração de menor custo das usinas hidrelétricas, que estão operando em níveis elevados devido às chuvas.
A estatal afirmou que a redução da importação não fere o acordo assinado em 1999 entre os governos do Brasil e da Bolívia, pelo qual a Petrobras é obrigada a pagar por 70% do volume total contratado (30 milhões de metros cúbicos por dia), mesmo que não utilize o combustível.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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