Governo federal aposta no potencial hidrográfico do Amazonas

Em: 4 de setembro de 2020
Governo vai lançar pacote para iniciativa privada explorar pesca e turismo em Balbina
Governo federal aposta no potencial hidrográfico do Amazonas

O governo federal vai aproveitar o potencial pesqueiro na região de Balbina para a produção de alimentos com preços mais baratos no Amazonas. O objetivo é abrir as atividades a investimentos da iniciativa privada que poderá também focar seus projetos na pesca de corte, esportiva, artesanal e ainda em ações turísticas.

A proposta é produzir peixes em redes de lâminas d’água em Balbina, uma atividade que se revela como grande potencial de crescimento econômico no Estado. O rio Uatumã, que corta a hidrelétrica, é um manancial de peixes de várias espécies de muito valor comercial.

O assunto já está na pauta do secretário Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Jorge Seif, que trouxe a sua equipe a Manaus para conhecer de perto as potencialidades regionais da rica biodiversidade no Estado, com foco no turismo e na pesca. E esses projetos serão estendidos para outras regiões do Amazonas.

Governo federal aposta no potencial hidrográfico do Amazonas - jorge seif

“O presidente Jair Bolsonaro aposta no potencial hidrográfico do Amazonas. Por isso, estou anunciando esse novo pacote de ações econômicas de desenvolvimento no Amazonas”, disse Feif durante a entrevista.

Segundo o secretário, a ideia é criar uma infraestrutura logística para profissionalizar a pesca, agregando valor a produtos oriundos de pescados, algo como fazem países do primeiro mundo e outros Estados das regiões Sul e Sudeste do país.

E essas ações seriam desenvolvidas de forma paralela ao turismo na região, que disponibiliza uma infinidade de locais pitorescos da fauna e flora, atraindo milhares de turistas a cada ano. Mas essa atividade se ressente, porém, de um viés profissional, tão necessário para incrementar os negócios no segmento.

E o governo federal quer ‘virar essa página’, criando uma nova realidade no Amazonas.    “Temos aqui um grande potencial na pesca e no turismo com plenas condições de gerar milhares de novos empregos, mais renda à população, principalmente os ribeirinhos que encontram nessas atividades a sua principal sobrevivência”, disse o secretário Jorge Seif. “São cadeias produtivas com grandes possibilidades de crescimento”, acrescentou.

Acompanhado do superintendente Federal de Agricultura no Amazonas, Guilherme Pessoa, Jorge Feif deu uma entrevista exclusiva à live do JC às 15. Com ele, também vieram à capital representantes do Ministério da Economia para avaliar de perto essas potencialidades econômicas no Amazonas, que podem viabilizar novas matrizes econômicas – uma forma de alavancar mais o desenvolvimento junto com o parque industrial da ZFM (Zona Franca de Manaus).

Segundo o secretário Jorge Feif, disse que existe hoje um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que propõe a isenção de PIS/Cofins para as atividades de pesca, como acontece com a suinocultura e outros segmentos econômicos. E essa renúncia fiscal vai baratear em pelo menos 80% os preços das rações para a produção na piscicultura, segundo o secretário.

“Estamos deixando de gerar milhares de empregos por não aproveitar potencialmente esse segmento. É hora de mudar, dinamizar mais esse potencial”, afirmou.

Terminal pesqueiro  

O secretário Jorge Feif anunciou também a abertura do Terminal Pesqueiro de Manaus para investimentos da rede privada. Há pelo menos 16 anos, o local não cumpre o papel para o que foi criado –profissionalizar a pesca através de uma infraestrutura logística eficaz, bem organizada, dinâmica, que levaria alimentos mais baratos ao consumidores regionais.  

Segundo Feif, o Brasil possui hoje milhares de terminais pesqueiros públicos que são saqueados, dilapidados e alvo constantes de pessoas que se aproveitam ilicitamente desse patrimônio público. “São mais de R$ 200 milhões que são gastos com essas unidades que não funcionam regularmente, só engrossando os lucros de forças ocultas envolvidas nessas atividades. E a maioria está parada, sangrando as contas do erário público”, salientou.

O projeto do governo federal é abrir a concessão do Terminal Pesqueiro de Manaus a empresas que cumpram à risca exigências como recuperar as unidades, ofereçam menores preços aos pescadores e ainda produtos com custos mais acessíveis ao mercado consumidor.

“O presidente quer acabar com todas essas irregularidades que acontecem nos terminais. E dar a real dimensão econômica que eles podem oferecer a empresas, como também ao pescador e à população em geral”, afirmou o secretário. “É um potencial produtivo que pode muito bem ser alavancado”.

O secretário se referiu a resistências contra as mudanças no Terminal Pesqueiro de Manaus como ‘forças ocultas’ que pretendem continuar usufruindo dessa forma incorreta de explorar a unidade indevidamente.

“Isso tudo vai acabar. Eles vão sair atirando. Mas vai mudar. É o nosso compromisso com a comunidade amazonense”, ressaltou. “E vai administrar o novo terminal a empresa privada que oferecer os menores preços à população”, ressaltou.

De acordo com o secretário, o governo federal estuda também estender o seguro- defeso para o pescador, que seria concedido de uma forma continuada nos 12 meses do ano, como acontece com outros setores da economia.

Outra ideia é abrir o programa de balcão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) sobre a venda de milho para a piscicultura, que ainda não foi contemplada pela iniciativa. “São muitas pautas vou foi levar a Brasília para serem avaliadas pelas equipes ministeriais do governo. E contam também com a força parlamentar da região”, anunciou.

Outro gargalo na piscicultura regional é que o segmento ainda não está inserido no Programa Balcão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a compra direta de milho, o que seria uma forma de dinamizar a produção com preços menores na aquisição do insumo. “Vamos avaliar também essa demanda”, disse o secretário.  

Outra proposta é inserir a pesca ornamental no Amazonas na política nacional de preços mínimos, como acontece com o manejo do pirarucu, uma espécie de peixe muito apreciada pela culinária regional e por turistas que vêm a região.

Marcelo Peres

Pesquisar