Governo não vai alterar regras do câmbio, diz Guido Mantega

Em: 2 de agosto de 2010
Para o ministro, a adoção da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada de capitais no País cumpriu o objetivo de conter a volatilidade do câmbio e evitar uma apreciação exagerada do real
Para o ministro, a adoção da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada de capitais no País cumpriu o objetivo de conter a volatilidade do câmbio e evitar uma apreciação exagerada do real

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na última semana, que, no médio prazo, o déficit nas transações correntes deve levar a uma depreciação do real, mas considerou que o fenômeno ainda não ocorre porque o País continua recebendo volumosa quantidade de investimentos estrangeiros em portfólio no mercado financeiro, nas compras de títulos e de ações. “O déficit deveria puxar uma desvalorização (do câmbio), mas há outros fatores, como o fluxo financeiro para o Brasil, que sustenta oferta de dólares para o mercado”, disse. Mantega acrescentou que, apesar do descompasso entre a tendência de queda no real e a formação de preços futuros, o governo não irá alterar nenhuma regra para regular o câmbio.
“Não estamos pensando em mexer nos mecanismos regulatórios”, afirmou. Para o ministro, a adoção da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada de capitais no País cumpriu o objetivo de conter a volatilidade do câmbio e evitar uma apreciação exagerada do real. Apesar de afirmar não enxergar uma forte ação especulativa, Mantega defendeu a ação do Banco Central (BC) no mercado futuro de câmbio, seja por meio de operações de swap (troca), seja por meio da limitação da exposição dos bancos. “Sou favorável à atuação do BC, quando oportuna”, completou.
O ministro da Fazenda avaliou ainda que a economia brasileira tem “facilmente” potencial para crescer “7%, 8%”, mas o governo não deixa essa expansão ocorrer para não provocar problemas “preocupantes” para as contas externas. “A gente não deixa a economia crescer muito. A economia facilmente conseguiria crescer 7% e 8%. É uma economia que tem força, potencial de dinamismo, mas não deixamos, para não ter problemas de déficit mais preocupantes e desequilíbrios entre importações e exportações”, disse.
Na avaliação do ministro, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior ocorre também em função de maiores investimentos. “Esse déficit significa que estamos investindo mais. Isso é positivo”, destacou Mantega.

Redação

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