Governo oferece desconto para uso de armazéns

Em: 13 de março de 2008
O setor privado possui mais de 98% da capacidade de armazenagem do país que é de 126 milhões de toneladas, segundo a própria Conab
O setor privado possui mais de 98% da capacidade de armazenagem do país que é de 126 milhões de toneladas, segundo a própria Conab

Com os estoques de passagem de grãos já quase zerados e o elevado aumento das vendas antecipadas da safra 2007/2008 a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) está oferecendo descontos de até 15% para a utilização de seus armazéns. A medida abrange produtores interessados em estocar mais de 30 mil toneladas de grãos e foi autorizada apenas na unidade de Ponta Grossa, no Paraná, mas poderá se estender a outros Estados.
De acordo com a Conab, os maiores interessados até agora são os compradores de trigo que em novembro fecharam contratos de importação com a Argentina de 3 milhões de toneladas.
Além da conjuntura da safra atual, a Companhia perde cada vez mais espaço para os armazéns privados. Nos últimos anos, o Brasil vem apresentando um expressivo aumento da capacidade estática de armazenagem, mas essa evolução está concentrada no setor privado, que possui mais de 98% da capacidade de armazenagem do país, que é de 126,1 milhões de toneladas, segundo a própria Conab.
“Hoje o produtor fica atrelado a uma cooperativa ou a alguma multinacional. Armazéns públicos, principalmente os da Conab, são para regular os estoques, evitando desabastecimento, não para comercialização”, avaliou o engenheiro agrícola Luís César da Silva, professor da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo).
Ele ressalta os problemas de infra-estrutura apresentados pelo segmento, tanto no setor público quanto privado. “No Centro-Oeste, onde acontece a expansão dos grãos, o Brasil tem déficit de armazéns, pois muitos ficam em regiões cujas estradas dificultam o escoamento da produção”, disse.
De acordo com o pesquisador do Instituto Biológico de São Paulo, Tércio Barbosa de Campos, as perdas por armazenamento inadequado chegam a mais de 15% do peso inicial dos grãos. “Isso afeta bastante a qualidade e, em locais com menor infra-estrutura, esse índice é ainda maior”, afirmou.
Hoje a cobrança pela armazenagem do granel na Conab é de pouco mais de R$ 3 a tonelada por mês. O depósito é feito em conta única da entidade e o faturamento pode ser mensal, mas a tarifa é quinzenal e inflacionada.

Redação

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