Governos federal e estadual discutem falta de estrutura do PIM

Em: 29 de agosto de 2008
Os principais gargalos enfrentados pelo Pólo Industrial de Manaus foram puxados pelo Governador Eduardo Braga, que se disse incomodado com tais questões
Os principais gargalos enfrentados pelo Pólo Industrial de Manaus foram puxados pelo Governador Eduardo Braga, que se disse incomodado com tais questões

O sistema viário do Distrito Industrial, prestes a entrar em colapso, energia elétrica e o decreto Nº 6.539 de 18 de agosto de de 2008, da Sudam (Superintendencia de Desenvolvimento da Amazônia), que estabelece novos critérios para a concessão de incentivos fiscais a partir da redução de 75% do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, foram o ponto alto da reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa), realizada ontem à tarde, com a presença do secretário de política industrial do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Francelino Grando.
Os três assuntos foram puxados pelo governador Eduardo Braga, ao se dizer incomodado com esses gargalos que tentam prejudicar o desenvolvimento da indústria do PIM (Pólo Industrial de Manaus), que mesmo assim deve faturar mais de US$ 30 bilhões, conforme projeção da Suframa.

Prejuízos à indústria

Na opinião do governador, os novos critérios para o enquadramento de projetos de diversificação e modernização total prejudica a indústria local, onde o lançamento de novos produtos é uma constante. Ele lembrou que o benefício gerido pela Sudam é importante para garantir a viabilidade econômica dos empreendimentos estabelecidos na ZFM (Zona Franca de Manaus), compensando, pelos menos em parte, a difícil logística da cidade de Manaus.
Para exemplificar o decreto, o governador disse que, se uma empresa aprova um projeto para fabricar 10 mil unidades por ano de um determinado produto, terá que primeiro produzir 20% sem nenhum incentivo fiscal para depois um técnico atestar se esta mesma empresa tem direito a incentivo fiscal.
Braga defende que seja concedido o benefício e se dê um prazo ao empreendedor e no fim de dois anos, por exemplo, se o mesmo não tiver produzido 20% do que foi aprovado, que seja feito o cancelamento do benefício.

Energia requer recursos

Para o governador, “se não colocar o benefício na frente, o investidor não vem para a ZFM”, garantiu.
Na questão da energia elétrica, o governador disse que se faz necessário grandes investimentos para evitar que Manaus entre num colapso energético. Segundo ele, o governo federal terá que desembolsar quantia superior a R$ 1 bilhão para ser investido no setor, inclusive na implantação de uma terméletrica.
Quanto ao sistema viário, Braga lembrou que está em jogo investimentos superiores de R$ 50 milhões, dos quais R$ 40 milhões foram repassados ao Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) no fim do ano passado e, até a presente data, as obras não foram concluídas. “O Distrito não sobreviverá o próximo inverno, se as ruas não forem asfaltadas”, assinalou Braga, lembrando que não dá mais tempo para fazer licitação porque o verão está há dois meses de terminar. “Algumas indústrias estão na iminência de parar porque não estão conseguindo ter acesso às próprias fábricas”, completou.
O governador considerou a reunião positiva, até porque o dia 10 de setembro, data definida para uma reunião extraordinária do CAS, para tratar desses assuntos, ele acredita que os mesmos receberão a atenção necessária. Quanto ao decreto da Sudam, Braga disse que Francelino Grando lhe falou que o Amazonas ganhou um aliado na defesa da discussão do aprimoramento do decreto. “Tinha que aproveitar a presença dos conselheiros nessa reunião e dar uma balançada, porque todo mundo está com medo de tomar posições firmes com relação a infra-estrutura do PIM, além do próprio decreto que prejudica indústrias de vários setores do PIM”, assinalou.
Para a superintendente Flávia Grosso, a reunião trouxe à tona todo os problemas enfrentados pela indústria e pelo Estado do Amazonas como um todo, que tem de superar o problema da falta de energia. Quanto a dispensa de licitação para agilizar o asfaltamento do Distrito Industrial, Flávia Grosso disse que até o dia 10 a Suframa terá feito um levantamento para que tudo seja feito dentro do critério da lei. “Todos os conselheiros concordaram que a situação é de emergencia, logo vamos julgar em cima de toda a documentação que vai ser levantada a partir de amanhã (hoje)”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar