O valor total das mercadorias paradas nos quatro principais terminais de cargas da capital amazonense, após a primeira semana da greve nacional deflagrada pelos auditores fiscais do trabalho e da Receita Federal, já alcança R$ 17,3 milhões. A informação foi divulgada ontem pelo presidente do Unafisco-AM (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Amazonas), Paulo Sérgio Sousa, que reassegurou a continuidade do movimento grevista enquanto o governo não atender as reivindicações da classe.
A equiparação gradativa do salário final atual de um auditor fiscal (cerca de R$ 13,3 mil) com os dos delegados da Polícia Federal (R$ 19,6 mil) foi apontada por Souza como a principal reivindicação dos grevistas.
O dirigente concordou que o movimento paredista vem desgastando uma parcela importante da sociedade, empresas e servidores há seis anos, mas asseverou o compromisso da classe de manter 30% do efetivo nas repartições. “Não queremos prejudicar as empresas, por isso não desocupamos todos os postos por entender que esta é uma greve responsável. A gente sabe, entretanto, que a greve não é um bom negócio para a economia do Estado, mas esgotamos todos os recursos de negociação com o governo federal”, declarou Sousa.
Dados fornecidos pelo presidente da Unafisco apontam que os valores das cargas acumuladas no porto seco Aurora Eadi (R$ 1,2 milhão), Superterminais (R$ 4,3 milhões), Teca-3 (R$ 3 milhões) e Porto Chibatão (R$ 9 milhões) podem levar as indústrias locais, se a greve se mantiver por mais 20 dias, a amargarem um prejuízo 28% maior que o observado na greve de 2007. “Queremos deixar bem claro para os colegas da indústria que o governo não assumiu a promessa de implantar a nova política salarial. Por isso, nossa determinação é manter por tempo indeterminado o movimento paredista”, explicou Sousa.
No bojo do impasse, as indústrias da capital iniciaram mobilização na tarde de ontem em busca de diminuir o impacto das perdas projetadas com a retenção das mercadorias nos quatro principais terminais de carga do Amazonas.
Segundo o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, entre as pautas das conversações entre os empresários, está a possibilidade das indústrias locais acionarem a justiça a partir de hoje para obter a liberação das cargas retidas para o desembaraço aduaneiro.
Mãos
amarradas
Périco afirmou que uma vez mais as empresas do PIM (Pólo Industrial de Manaus) estão de mãos amarradas diante de um desacordo que já se arrasta há seis anos sem uma clara definição para permitir investimentos consistentes com segurança no Amazonas. O dirigente considerou insensato o período da greve dos auditores por culminar justamente com a preparação da indústria local para atender o alto volume de pedidos de eletroeletrônicos destinados ao Dia das Mães.
“Uma greve não poderia ser pior do que neste período do ano, quando as indústrias já preparam o envio de eletroeletrônicos para as vendas no Sul e Sudeste”, desabafou Périco, acrescentando que empresas locais, como Jabil, Sony e Nokia, podem paralisar linhas de produção ainda esta semana se a matéria-prima não chegar em tempo.
Metas
atrapalhadas
Na opinião da inspetora-chefe da Alfândega do Porto de Manaus, Maria Elísia Andrade, a greve vem atrapalhar a meta projetada para este ano de reduzir o tempo de despacho da internação de mercadoria importadas de 48h para 36h. “Além disso, na zona secundária, a gente projetava atingir em pouco tempo as 30 maiores empresas responsáveis por 70% de toda a arrecadação do Estado, justamente aquelas onde ocorrem os maiores volumes de importação e internação da Zona Franca de Manaus. O pior é o pouco tempo que vai nos restar se a greve continuar”, explicou.






