Greve dos auditores fiscais compromete mais economia do Amazonas

Em: 1 de abril de 2008
Editorial
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A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada no dia 18 de março, já produziu um acúmulo R$ 32 milhões em cargas paradas nos pátios do porto e do aeroporto de Manaus, a espera de desembaraço. Sem a liberação de mercadorias e de insumos a economia do Estado trava, porque o comércio corre o risco de desabastecimento e as fábricas podem parar suas linhas de produção por falta de insumos.

Todos os cenários são sombrios, mas mesmo assim o comércio de Manaus estima um aumento de 7% no volume de vendas na semana do Dia das Mães, em relação ao ano passado.
A ameaça que pairava sobre a segunda melhor data do ano para o comércio, logo depois do Natal, é decorrente da passagem das cargas pelo canal verde, cuja conferência se resume apenas à documentação, e não ao produto também. Com isso, a desova de mercadoria ganha agilidade e, em caso de paralisação, não afeta substancialmente a atividade comercial.
Já para a indústria a história é diferente. Com linhas de produção dependentes de insumos importados, as empresas do PIM mostram sua fragilidade todas as vezes que auditores fiscais fazem greves. Isto decorre de um fato: o índice de nacionalização dos produtos fabricados no PIM implica em componentes de pouco valor agregado. O setor de eletroeletrônicos precisa de componentes importados para montar a base de seus produtos. O resto é fabricado aqui mesmo, como as carenagens, os monitores, entre outros.
A greve ainda não prejudicou os consumidores, mas pode prejudicar. Caso as empresas venham a ter qualquer prejuízo com estocagem, esses custos acabarão chegando ao bolso dos compradores. E não adianta reclamar, porque o TRF (Tribunal Regional Federal) reconheceu o direito de greve dos auditores fiscais, proibindo o governo de anotar falta no ponto dos grevistas.
A greve é por tempo indeterminado e, enquanto isso, apenas 30% das atividades dos auditores são mantidas. Se o governo federal, hoje refém, não atender logo as exigências dos servidores, toda a economia do Amazonas corre o risco de parar. Sem mercadoria para expor, o comércio entra em pânico. Sem insumos para produzir, a indústria quebra, gera desemprego, o Estado não arrecada e a crise fica aguda.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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