Greve paralisa cidade

Em: 17 de janeiro de 2017
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Às 15h40 da tarde de ontem foi quando os primeiros ônibus começaram a deixar as garagens das empresas para circular na cidade de Manaus, após uma paralisação que começou das 4h da manhã prejudicando a vida de milhares de manauaras.

Os carros só foram para as ruas após o Tribunal Regional do Trabalho 11ª região determinar a prisão de toda a diretoria do Sindicato dos Rodoviários.

O juiz convocado do TRT da 11ª Região, Adilson Maciel Dantas, levou em consideração os pedidos do Sinetram, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional AM, da Comissão de Defesa do Consumidor e do PROCON/AM, os quais solicitaram a expedição de mandado de prisão das lideranças sindicais responsáveis pela greve.

O magistrado declarou que “dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, cidadão, de um modo geral, estão sendo prejudicados por essa greve que já a reputei por ilegal, abusiva e arbitrária”.

Ainda no despacho, ele considera o movimento “tão absurdo, tão inconsequente, que posso ponderar sobre as reais motivações e sobre os interesses que estão inexoravelmente escondidos sob o manto dessa atitude sem precedentes na história de nossa sociedade amazonense”.

A decisão nominou os membros do sindicato obreiro, constando, inclusive, o endereço de cada um como: Givancir de Oliveira Silva, Josildo de Oliveria Silva, Elcio Campos Rêgo, João Batista Rodrigues do Nascimento, Josenildo de Oliveira e Silva e Jaildo de Oliveira Silva.

Este último é atualmente Vereador e encontra-se afastado da diretoria do sindicato para exercício de mandato eleitoral. Por este motivo, o magistrado Adilson Dantas tornou sem efeito a determinação de expedição de Mandado de Prisão contra o mesmo.

No final da tarde
Já o prefeito de Manaus, Arthur Neto, fez um apelo aos rodoviários e empresários do sistema de transporte coletivo que baixassem as armas e sentassem com ele para uma reunião. “O meu interesse é sempre o bem da população e o respeito à Justiça.

Não faço gosto na prisão de ninguém por causa de um movimento reivindicatório”, acrescentou.

A paralisação
Indignados e revoltados, os usuários do transporte coletivo e muitos empresários de Manaus se sentiram lesados por não terem sido avisados antecipadamente sobre a paralisação de 100% dos rodoviários do sistema de transporte coletivo, na manhã desta terça-feira, 17.

Durante a paralisação, cerca de 1.400 transportes coletivos deixando aproximadamente 400 mil trabalhadores em pé nas paradas desde as 4h da manhã.

A categoria havia avisado da paralisação da frota na última segunda feira (16), descumprindo a decisão da Justiça do Trabalho, que determinou que a greve não fosse realizada.

A reinvindicação
A categoria dos rodoviários exige o pagamento atrasados do dissídio coletivo de 2016 e o adicional de insalubridade. Em 2016, a categoria deveria ter recebido reajuste entre 8,5 e 9,5%.

Consequências nas diversas áreas

No bairro da Cachoeirinha, os pontos de ônibus e terminal 2 estavam vazios, alguns trabalhadores, estudantes universitários ainda esperavam às 10 horas da manhã os poucos micro-ônibus executivos na esperança de chegarem aos seus destinos.

Eron Soares, designer Gráfico, disse que a paralisação prejudicou muitos trabalhadores. “É um absurdo acordar cinco horas da manhã e chegar na parada não ter de ônibus, por conta da irresponsabilidade dos outros. Não tenho dinheiro para pagar taxi ou mototaxi”, disse o jovem indignado. Há mais de 20 anos como mototaxista na base do Terminal 2, Ronaldo de Castro Lima, disse que, mesmo com a falta de circulação do ônibus, a população não tinha dinheiro para utilizar seus serviços. “Então até nós ficamos prejudicados, porque as pessoas não têm dinheiro, nem para ir para o trabalho e nem voltar para suas casas. Ou voltavam de micro-ônibus ou ligavam para parentes irem buscá-las Com isso, até nós perdemos”, disse ele. Ainda na esperança de ir para a Ufam (Universitário Federal do Amazonas), Hector Benjamim, disse que a greve o fez perder aulas importantes do seu curso de informática. “Isso é uma falta de respeito com os estudantes e com os trabalhadores, que desejam vencer na vida. Eles brigam e quem paga é a população. Lmentável”, disse ele.

Terminal Central
Já no centro da cidade, quem mais sofreu com a paralização foram os comerciantes. Muitos deles tiveram que dispensar seus funcionários e outros, pegá-los em suas casas para o estabelecimento funcionar. Com isso, gerou uma despesa grande para o dono do comércio que viu a sua movimentação cair e amargar a queda irreparável de suas vendas.

Gerente do Supermercado Vitória, que fica ao lado do terminal do centro da cidade, Leonildo Pereira, afirmou que, com a paralisação, a empresa teve que desembolsar R$ 400 de condução, de mototaxi e lotação, para buscar todos os funcionários em suas casas, porque a maioria mora na zona Leste. “E também uma diminuição considerável de cliente. Isso gerou uma queda no faturamento de 30%. Porque funcionamos ao lado do terminal e a maioria das pessoas que pegam seu ônibus aqui na frente, realizam suas compras aqui com a gente”. Leonildo disse que não concorda com a paralisação, porque acredita que as empresas rodoviárias deveriam ter liberado pelo menos 20% ou 30% da frota. “A cidade não pode parar, porque muitos pais de famílias e, até mesmo, os micro empresários precisam do transporte público para se locomover e ganhar dinheiro”, ressalta o gerente.

Jesus Fonseca, proprietário da Drogaria Elisamar, há 35 anos no mercado disse que, “por conta da paralização, nosso movimento caiu”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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