Guia de samambaias e licófitas da Amazônia Central é lançado

Em: 5 de janeiro de 2009
Uma das maiores limitações para se desenvolver estudos básicos ou aplicados na Amazônia é ter material de referência para se identificar espécies em campo, com segurança e objetividade
Uma das maiores limitações para se desenvolver estudos básicos ou aplicados na Amazônia é ter material de referência para se identificar espécies em campo, com segurança e objetividade

Uma das maiores limitações para se desenvolver estudos básicos ou aplicados na Amazônia é ter material de referência para se identificar espécies em campo, com segurança e objetividade. Vista de fora, as florestas amazônicas podem parecer um mar verde, infinito e relativamente homogêneo em seus elementos constituintes. Mas quem se aprofunda no conhecimento sobre a biodiversidade da região descobre logo a insustentabilidade desse argumento.
A Amazônia é extremamente heterogênea: a variação na composição de espécies, a diversidade beta é imensa mesmo entre locais próximos. Compreender processos que influenciam essa taxa de mudança espacial é essencial para planejar a conservação biológica. Contudo, os pesquisadores interessados nesses temas se deparam inevitavelmente com a carência de guias de identificação.
O “Guia de Samambaias e Licófitas da Rebio Uatumã – Amazônia Central”, de Gabriela Zuquim, Flávia Costa, Jefferson Prado e Hanna Tuomisto, é fruto dessa demanda. O guia representa um exemplo maravilhoso de colaboração entre ecólogos e taxonomistas, que essencialmente possuem visões complementares sobre a biodiversidade.
Dentre os autores, Jefferson Prado, do Instituto de Botânica, IBt-SP, é o mais experiente em taxonomia. Ele foi fundamental para sustentar o processo de identificação das espécies que ocorrem no Uatumã. Contudo, Gabriela Zuquim, Flávia Costa –ambas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)– e Hanna Tuomisto (Universidade de Turku, UTU) são ecólogas na maior parte do tempo e possuem muita experiência em campo, fornecendo aos leitores informações únicas sobre como observar características das plantas, muitas das quais são diagnósticas. Muitas dessas características de campo, como cor, brilho e hábito, não são preservadas nos materiais depositados em herbário e, por isso, não são usadas nas descrições das espécies. O guia trata de 120 espécies, ricamente ilustradas e acompanhadas de descrições e dicas para o reconhecimento em campo. Possui uma introdução sobre o grupo direcionada para o público em geral, mas seu conteúdo é completo, abrangendo aspectos sobre biologia, ecologia, evolução e conservação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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