Quando o Jornal do Commercio foi fundado, em 2 de janeiro de 1904, pelo português Joaquim Rocha dos Santos, Manaus vivia o fausto do comércio da borracha, mas o empreendedor não conseguiu gozar por muito tempo a sua investida porque, em dezembro de 1905, um ataque cardíaco o matou.
Ainda em 1906, o JC se tornou o terceiro jornal da América do Sul a importar uma máquina linotipo, usada na composição de seus textos.
Inventada em 1884, por Ottmar Mergenthaler, na Alemanha, a linotipo era o que de mais moderno existia naqueles tempos. Naquele ano de 1904, o sistema offset era inventado nos Estados Unidos, mas demoraria algum tempo para chegar a Manaus.
Conseguiu manter o JC

Em 1909 o JC foi vendido pela família de Rocha dos Santos a Vicente Reis. Mesmo Manaus e o Amazonas tendo entrado numa crise econômica após 1911, com a quase extinção do comércio da borracha e a economia do Estado ficando estagnada por mais de 50 anos, Vicente Reis conseguiu manter o JC por mais de 30 anos registrando em suas páginas fatos históricos como o naufrágio do Titanic, em 1912; a Grande Guerra, em 1914; a Grande Depressão norte-americana, em 1929; a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930; o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, entre outras importantes manchetes.
Um jornal a mais para Chatô
Em 1943 Vicente Reis resolveu vender o JC para os Diários Associados, maior rede de comunicação brasileira controlada pelo rico empresário Assis Chateaubriand. Vale ressaltar que, durante vários anos, Artur César Ferreira Reis, filho de Vicente, foi o editor do JC. Artur Reis se tornaria governador do Amazonas, em 1964, o primeiro dos cinco indicados pelos militares que estavam no poder, entre 1964 e 1985.
A trajetória dos Diários Associados começou em 1924 quando o jornalista Assis Chateaubriand investiu em O Jornal, publicação que circulava no Rio de Janeiro. Com o passar dos anos, o empresário foi adquirindo jornais e emissoras de rádio por todo o país.
Quando Chateaubriand comprou o JC, o jornal passou a publicar noticiário nacional em destaque de forma quase instantânea, diminuindo o isolamento informativo da região em relação ao restante do país. O Jornal do Commercio noticiou diversas lutas pelo desenvolvimento do Amazonas, como a busca por melhores condições para a retomada da produção de borracha após a Segunda Guerra Mundial, a deficiência energética do Estado e a logística comercial deficitária diante da dimensão continental do Amazonas.
Muitos desses pleitos tiveram início com a Associação Comercial do Amazonas, considerada a mãe de todas as entidades representativas do setor produtivo amazonense. Criada em 1871, a entidade ainda tem presença constante nas páginas do Jornal do Commercio. Uma das principais conquistas para o setor produtivo foi a publicação do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, que alterou as disposições da Lei nº 3.173 de 6 de junho de 1957 e regulamentou a Zona Franca de Manaus.
Olhos para a economia
No dia 4 de dezembro de 1984, o amazonense Guilherme Aluízio comprou o Jornal do Commercio. Na época, ele também virou proprietário da Rádio Baré, passando a estampar como slogan do jornal a frase do poeta Virgílio, Omnia Vincit Labor: O Trabalho Tudo Vence. E foi com esse espírito que Aluízio mudou a cara do então octogenário Jornal do Comércio. Transferiu o complexo empresarial da Eduardo Ribeiro para se estabelecer na avenida Tefé, Japiim, em novas e amplas instalações, onde está até hoje.
E sem esquecer as origens do jornalismo decidiu direcionar a linha editorial do jornal para os acontecimentos da Zona Franca e do Polo Industrial de Manaus. A partir de 1987, segmentou o conteúdo para a economia, aproveitando que nenhum meio de comunicação dedicava tratamento prioritário para a ZF e para o PIM. Com obstinação e mobilização de parcerias, conquistou a confiança no papel da imprensa junto às lideranças políticas, empresariais, sociais e entidades de classe estabelecendo parcerias duradouras. Assim, estava estabelecido e ocupado definitivamente, um novo nicho de mercado.






