Histórias ao som do Carrapicho

Em: 15 de dezembro de 2025
Hira, que junto com o também dançarino, Hudson, integraram a Banda Carrapicho, resolveu contar as histórias dos quase dez anos que integrou o grupo.
Foram tantas as perguntas, que Hira resolveu escrever o livro
Foram tantas as perguntas, que Hira resolveu escrever o livro

Quem nunca dançou, ou ao menos balançou o corpo, ao som de ‘Tic, tic, tac’, ‘Ritmo quente’, ‘Vermelho’, entre tantas outras músicas, da Banda Carrapicho? Pois é, Hira Mesquita teve o privilégio de ser um dos dois dançarinos que se destacavam nos shows da banda, ele e Hudson, nos palcos do Amazonas, de todos os estados do Brasil, da América Latina, do Oriente Médio e da Europa, isso durante nove anos, de 1995 a 2004. Mais de dez anos depois de abandonar os palcos, Hira resolveu contar histórias dos tempos em que fez parte do grupo. No sábado, dia 13, às 18h, o ex-dançarino lançará o livro ‘Na batida do Amazonas – minhas vivências com o Carrapicho’, na Casa de Praia Zezinho Corrêa, na Ponta Negra.

“Meu último show aconteceu no Teatro Amazonas. Em 2013 participei dos 30 anos do Carrapicho, a convite do Zezinho. Em 2020 fizemos a última matéria juntos, na TV Record”, falou.

Em 6 de fevereiro de 2021 Zezinho partiu.

Sem filtros, Hira volta no tempo e narra viagens, prêmios, conflitos, descobertas, aprendizados, relações e tudo o que viveu enquanto artista. ​As agendas lotadas, pressões, emoções e os desentendimentos entre os integrantes da banda comuns a toda e qualquer banda musical no mundo. O livro marca a reconstrução de uma trajetória que ajudou a moldar sua identidade como artista, pesquisador e ser humano.

Finda a carreira artística, Hira se voltou para os estudos. Formou em psicologia se especializando em Psicologia Positiva, mas as perguntas sobre as histórias dos tempos do Carrapicho nunca deixaram de ser feitas. Amigos pediam para que ele escrevesse um livro contando essas histórias, afinal de contas o rapaz esteve no ‘olho do furacão’ no momento em que a primeira, e até agora única, banda musical amazonense, fez sucesso no mundo inteiro.

No auge do sucesso, a Banda Carrapicho ganhou o mundo
No auge do sucesso, a Banda Carrapicho ganhou o mundo

‘Tic tic tac’

Famoso como dançarino, Hira iniciou a carreira artística cantando.

“Sim, cantando, com Zezinho Corrêa. Minha primeira vez no palco foi num show solo, eu como back vocal dele, no Sesc, onde também se formou a Banda Carrapicho”, recordou.

A Banda Carrapicho surgiu no início dos anos de 1980, liderada por Zezinho Corrêa, animando os eventos do Sesc, onde ele trabalhava e, curiosamente, atuava como ator no Tesc (Grupo de Teatro Experimental do Sesc), encenando algumas peças. O Carrapicho surgiu como mais uma banda de forró da cidade, se unindo a outras que se apresentavam nos clubes e casas noturnas animando a noite manauara, e faziam muito sucesso. Mas quando o destino marca alguém, não tem para onde correr. Os bumbás de Parintins, Garantido e Caprichoso, já eram conhecidos em Manaus muito antes da inauguração do bumbódromo, em 1988, porém, na década de 1990 o fenômeno se tornou avassalador. Em 1995, pela primeira vez, os bumbás lançaram CDs (também uma novidade) com as memoráveis toadas lembradas até hoje. De olho naquele ritmo que empolgava toda Manaus, o Carrapicho deixou um pouco o forró de lado e procurou uma toada para ‘puxar’ o CD ‘Festa do boi bumbá’, que lançariam em 1996. Quis o acaso que escolhessem ‘Tic tic tac’, toada do parintinense Braulino Lima composta em 1993. O sucesso foi imediato e a sorte veio junto. Um produtor musical francês, que passara por Manaus e vira um show do Carrapicho, ouviu ‘Tic tic tac’ e logo percebeu o sucesso que a música faria. Não deu outra. ‘Tic tic tac’ foi lançada na França e de lá ganhou o mundo num fenômeno impressionante.

 

Por que acabou?

“Quando entrei no Carrapicho, tinha apenas 19 anos. Permaneci por quase uma década vivendo intensamente o auge desse fenômeno mundial. Testemunhei o estrondoso sucesso, a ruptura, o declínio da marca no final dos anos de 1990 e as tentativas incansáveis de reposicionamento no mercado fonográfico, nos anos 2000. Foram anos de desafios, aprendizados e histórias inesquecíveis”, contou.

Quando ‘a festa acabou’, o que Hira viveu e ouviu marcou profundamente sua vida. Não foram poucas as vezes que lhe perguntaram: ‘por que o Carrapicho acabou?’.

“Por muitos anos precisei responder a essa pergunta. Talvez, contar essa história sob a minha perspectiva seja uma forma de finalmente não só dar respostas, mas também de honrar tudo o que essa trajetória representou não só para mim, mas para todos que dançaram, viveram e vibraram ao som da banda Carrapicho”, disse.

Em 2011 Hira começou a reunir as histórias de sua trajetória com a Banda, porém, logo após iniciou a faculdade de psicologia, sonho que exigiu uma pausa nesse projeto para dedicação total aos estudos. Dez anos depois, em 2021, o ex-dançarino revisitou o passado e retomou o projeto do livro, reunindo memórias e registros que resgatam parte da história musical do Amazonas.

“Neste livro autobiográfico, revelo os bastidores, as emoções e os caminhos de minhas vivências no Carrapicho. Todos que gostam de histórias reais, com certeza, irão gostar de lê-lo”, finalizou.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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