Às vezes, descobrir a pólvora não é tarefa fácil. Bastaria cumprir o Regimento Interno e a Assembleia Legislativa seria um Parlamento eficiente e popular, refletindo os princípios democráticos que regem a República brasileira. No entanto, descobrir a melhor forma de cumprir o RI e revitalizar as atividades plenárias da velha Aleam está sendo tarefa de Hércules, como reconhece o líder do governo, deputado Sinésio Campos (PT), crítico em relação à efervescência de movimentos políticos que agitam a Casa como a formação de frentes parlamentares acusadas de ofuscar e prejudicar as comissões técnicas.
O excesso de sessões de homenagens e reuniões especiais, com o agravante de eventos paralelos nos auditórios do Poder, estressam os jornalistas, forçando as redações a trabalharem com pautas mais do que específicas, “tirando leite de pedra”, e terminam esvaziando o plenário e confundindo a função de legislar com espetáculos banais de artigos secos e molhados.
A Assembleia Legislativa estaria sendo banalizada, sem saber administrar o grande volume de atividades dos parlamentares e virando uma Câmara de interior qualquer? À pergunta alguns deputados respondem que o perigo existe, e por isso clamam à Mesa Diretora para que reorganize a situação. Para o deputado Marco Antônio Chico Preto (PMDB), a cessão de tempo sequer é letra regimental, “não existe no Regimento Interno”. Se as audiências públicas se realizam as segundas e sextas-feiras, sem comprometer o funcionamento do plenário das terças às quintas-feiras, a cessão de tempo é ilegal e as reuniões especiais deveriam ser uma questão de consenso e entendimento ético entre os deputados e a Mesa Diretora.
Chico Preto sugere que a Mesa discuta com os deputados uma nova agenda positiva para salvaguardar e fortalecer o plenário, o ponto máximo do Parlamento, onde eles têm a obrigação de debater e legislar em nome da população. Defensor das frentes parlamentares, devido à transversalidade de determinados temas envolvendo várias comissões técnicas, na mesma linha de pensamento de outros deputados como Luiz Castro (PPS), José Ricardo (PT) e Marcelo Ramos (PSB), Chico Preto, contudo, recomenda “cuidados com as frentes”, para não comprometerem e descaracterizarem as comissões.
O petista José Ricardo concorda com Chico Preto, defende as frentes e sugere que as reuniões especiais ocorram somente à tarde, como faz a Câmara Municipal, e lamenta que essas reuniões estejam garantidas até dezembro “graças a uma montanha de requerimentos” de autoria de Sinésio Campos, aprovados no início do ano. E adverte sobre as audiências públicas para debater projetos. “Projetos não podem ser discutidos em audiências, mas no seio das comissões técnicas”, sustenta.
Aras ainda encaminhou a denúncia à Procuradoria da República do Distrito Federal para apurar suposta.
Refratários à ideia das frentes parlamentares, os deputados Belarmino Lins (PMB) e Sinésio Campos (PT) defendem a reorganização do calendário de atividades da Aleam e recomendam “bom senso” aos colegas ao lidarem com questões como cessão de tempo e reuniões especiais. Para eles, o calendário deve ser reorganizado com o firme objetivo de fortalecer o plenário. “Somos pelo diálogo”, afirma Sinésio, para quem as frentes prejudicam as comissões técnicas, encarregadas de discutir e analisar projetos de lei.
Belarmino Lins, por sua vez, ex-presidente da Aleam e exercendo o seu sexto mandato legislativo, aconselha prudência aos parlamentares e apela no sentido de que os nove deputados que chegaram ao Poder Legislativo nas eleições de 2010 estudem o Regimento Interno e trabalhem pelo fortalecimento das atividades plenárias. “Sobretudo, não vejo crise no ar, mas entendo que o Regimento deve ser observado, pois é a nossa carta maior”, observa. Na condição de presidente da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), ele conclama os deputados ao diálogo e pede respeito ao RI e às comissões técnicas. “As comissões analisam os projetos e contemplam a realização de audiências públicas antes de encaminhá-los ao plenário, tudo de acordo com as regras legais e dentro do máximo espírito de democracia”, finaliza.
Homenagens e reuniões demais geram crise
Em: 20 de junho de 2011
Às vezes, descobrir a pólvora não é tarefa fácil. Bastaria cumprir o Regimento Interno e a Assembleia Legislativa seria um Parlamento eficiente e popular, refletindo os princípios democráticos que regem a República brasileira
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Ipsos-Ipec: 33% avaliam governo Lula como ótimo ou bom; ruim ou péssimo sobe a 43%
16 de setembro de 2026

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano
16 de setembro de 2026
Projeção de IPCA em 12 meses no 1º tri de 2028, segue em 3,2%, diz Copom
16 de setembro de 2026

TCU alerta governo sobre risco de superestimação com receita para compensar isenção do IR
16 de setembro de 2026

Petrobras tem maior margem de lucro entre grandes petroleiras mundiais
16 de setembro de 2026

Aposentadoria aos 60 é sonho de 59% dos brasileiros; um terço acha que não conseguirá
16 de setembro de 2026

Sancionada lei de incentivo à instalação de data centers
16 de setembro de 2026

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Ana Castela são artistas brasileiras indicadas
16 de setembro de 2026