Honras de chefe de Estado para Amazonino Mendes no Amazonas

Em: 15 de fevereiro de 2023

Lideranças do Amazonas preparam homenagem ao ex-governador Amazonino Mendes, que morreu no domingo  (12) em São Paulo, onde fazia tratamento de saúde. Tanto na Câmara Municipal de Manaus como na Assembleia Legislativa há várias manifestações em curso em tributo ao político que marcou a história política do Estado por mais de 40 anos de atuação.

Ele será homenageado como chefe de Estado. Na segunda-feira, o prefeito de Manaus, David Reis (Avante), anunciou que está elaborando um evento como tributo ao velho cacique com a participação de seus familiares. Almeida e o governador do Estado, Wilson Lima (UB), se pronunciaram publicamente reconhecendo a importância de Amazonino. E ainda lamentaram a sua morte.

“Realmente, Amazonino Mendes deu grande contribuição para o desenvolvimento do Amazonas, algo que abriu caminhos para impulsionar a economia do Estado”, disse o prefeito. Lima, que foi reeleito para o segundo mandato, também compartilha do mesmo sentimento. “É um político que sempre lutou por mais qualidade de vida à população, gerando novos empregos e renda”, ressaltou.

O corpo de Amazonino Mendes deve chegar nesta quinta-feira (16) a Manaus. E o velório será aberto ao público. Até o fechamento desta reportagem, não haviam sido divulgados os detalhes da cerimônia.

Vereadores e deputados estaduais lamentam a morte do político. Na Assembleia Legislativa, há um esforço concentrado para a criação de uma medalha do mérito Amazonino Mendes, já com grandes chances de ser aprovada pela maioria dos parlamentares da Casa. Da mesma forma, existe uma mobilização também na Câmara Municipal para a consolidação de uma comenda em homenagem ao líder político amazonense.

O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) sugeriu que um complexo viário em construção em Manaus fosse batizado com o nome de Amazonino, movimento que foi encampado pelo prefeito da capital.

Guedes apresentou indicação na CMM para a prefeitura denominar a estrutura viária na avenida Autaz Mirim, na rotatória da Bola do Produtor, zona Leste da capital,  como ‘Complexo Viário Amazonino Armando Mendes’.

Bumbódromo

Na segunda-feira (13), a deputada estadual Mayra Dias (Avante) apresentou projeto de lei na Assembleia Legislativa propondo que o Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo, volte a se chamar Amazonino Mendes.

Para a parlamentar, Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus) é um dos exemplos do quanto Amazonino era um homem visionário e à frente do seu tempo. Ela lembrou que, em 1987, ele assistiu ao Festival Folclórico pela primeira vez e viu, nos bois Caprichoso e Garantido, grande potencial de expansão da cultura e de incentivos ao turismo na cidade e no Estado.

“O Bumbódromo foi inaugurado em 1988 e recebeu o nome de Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes, sendo duramente criticado por construir um ‘elefante branco’ no meio da floresta. De lá para cá, a história comprovou que Amazonino estava certo. O espaço ficou pequeno para a grandiosidade do espetáculo dos bumbás. O Festival de Parintins deu identidade cultural ao Estado do Amazonas, tornando-se Patrimônio Cultural do País, sendo o Bumbódromo considerado o maior teatro a céu aberto do Brasil”, ressaltou Mayra.

Senadores de diversos partidos também se manifestaram lamentando a morte do ex-governador. Parlamentares foram às redes sociais para homenagear Amazonino e ressaltar seu legado para a Amazônia.

“O Brasil perde um relevante homem público com a morte de Amazonino Mendes. O nome de batismo já indicava sua predestinação para se tornar um dos filhos mais ilustres do Amazonas ao ocupar, por mais de uma vez, o cargo de governador, além de ter sido senador e prefeito de Manaus. Amazonino caracterizou a sua vida pública por diversas iniciativas que proporcionaram um vigoroso crescimento econômico e social do Amazonas. Presto meus sentimentos aos familiares, aos amigos e aos admiradores”, afirmou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Amazonino estava internado desde dezembro passado em razão de uma crise de diverticulite (inflamação no intestino grosso) e uma pneumonia. Ele nasceu em Eirunepé (AM) e fez longa carreira política assumindo vários cargos públicos como prefeito de Manaus por três vezes, governador do Amazonas por quatro mandatos e senador da República entre 1991 e 1992, quando renunciou para assumir a prefeitura da capital amazonense.

Marcelo Peres

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