Horário de verão e consumo de energia elétrica

Em: 16 de fevereiro de 2008
A ausência de investimentos por longo período ainda não foi compensada com as recentes injeções de recursos no sistema, daí a desconfiança ainda existente por parte das lide­ranças empresariais. A reforçar este sentimento existe também a morosidade…
A ausência de investimentos por longo período ainda não foi compensada com as recentes injeções de recursos no sistema, daí a desconfiança ainda existente por parte das lide­ranças empresariais. A reforçar este sentimento existe também a morosidade...

O fantasma do apagão energético que ronda o Brasil, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, parece que está perdendo consistência. Pelo menos é o que transparece a partir das declarações do diretor do Operador Nacional do Sistema, para quem os reservatórios agregados às hidrelétricas daquelas regiões já estão com um nível aceitável de água e com expectativa de que as chuvas anunciadas pelo serviço meteorológica elevem ainda mais o nível dos reservatório e com isto seja finalmente descartado o ainda possível blecaute no país.
De outro lado o consumo de energia nos meses nos quais vigorou o horário de verão não foi dos mais satisfatórios, uma vez que a utilização de unidades termelétricas para substituir a geração de energia das usinas hidrelétricas que tiveram sua produção parcialmente pre­judicada em função da queda no volume de água nos reservatórios aumentou os custos do sistema.
A economia de energia elétrica em 126 dias, período de duração do horário de verão, que esteve em vigência nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal, chegou a 2,027 mil megawatts.
Se comparada à economia obtida no período de 2006/2007, os ganhos com a redução no consumo deste ano foram de 7,86% inferiores àqueles registrados no início de 2007. Quanto aos resultados financeiros, houve uma que substancial queda, uma vez que caíram 75% nesta última edição do horário de verão no Brasil.
Enquanto no período anterior a eco­nomia gerada foi de R$ 40 milhões, na última temporada este resultado só chegou aos R$ 10 milhões, em decorrência da necessidade de utilizar as geradoras temelétricas para suprir a demanda.
Há bastante tempo existe a preocu­pação, principalmente do setor priva­do, quanto à capacidade geradora do parque energética nacional para suprir a demanda crescente do país por este insumo. Apesar das garantias dadas pelas autoridades ligadas à atividade como o Ministério das Minas e Energia, a agência reguladora e mesmo do operador do sistema, a possibilidade de ocorrer um apagão energético não deixa de ser um fator a colocar investidores com um pé atrás na hora de decidir abrir uma nova fábrica no Brasil.
A ausência de investimentos por longo período ainda não foi compensada com as recentes injeções de recursos no sistema, daí a desconfiança ainda existente por parte das lideranças empresariais. A reforçar este sentimento existe também a morosidade com a qual estão sendo tocados projetos para construção de novas unidades geradoras.
No Amazonas, onde há bem pouco tempo foram instaladas novas usinas termelétricas para suplementar a produção energéticas até então existentes, a situa­ção também requer maior atenção por parte da concessionária local, uma vez que o aquecimento da atividade produtiva no Pólo Industrial de Manaus tende a manter o ritmo ou até mesmo superar o desempenho do exercício de 2007. Entretanto, já existe o anúncio de que serão feitos investimentos necessários por par­te da concessionária de energia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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