Os olhos do mundo se voltam para o Amazonas com a construção da ponte sobre o Rio Negro, que vai ligar Manaus ao município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital). Orçada inicialmente em R$ 574 milhões, a obra divide a opinião de estudiosos e especialistas sobre os impactos ambientais numa região cuja preservação da biodiversidade é hoje motivo de grandes discussões acadêmicas – não só no Estado e no resto do país, como também em países da Europa e nos Estados Unidos.
A mídia nacional e internacional repercute os aspectos positivos e negativos do projeto num momento em que a comunidade científica mundial está preocupada com o aquecimento global – fruto da ação devastadora do homem sobre o ecossistema, principalmente com a derrubada irregular de florestas, a poluição dos rios e o extermínio de espécies raras da fauna e flora amazônicas.
Mas o projeto traz mais benefícios do que prejuízos, segundo apontam estudos de impactos ambientais realizados pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Depois de construída, medindo 3,5 mil metros de concreto armado sobre o Rio Negro e com 76 pilares de sustentação, a ponte permitirá o acesso a Iranduba em apenas 5 minutos, enquanto a travessia por balsa demora até duas horas.
Um dos principais argumentos dos ambientalistas é que a obra afetaria o curso do rio e levaria à retirada de centenas de ribeirinhos que vivem na região. No entanto, técnicos descartaram danos significativos ao ambiente e apontaram que a população dessas áreas poderia ser acomodada em construções similares ao Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus).
Considerada como o marco do novo perfil desenvolvimentista do governo do Amazonas, a ponte promete alavancar a economia do Estado, aumentar o intercâmbio comercial entre Manaus e Iranduba e dar mais opções de renda e emprego para milhares de trabalhadores.
“O empreendimento vale pelo grande custo benefício, pois o seu alcance social e econômico é enorme para a região”, argumenta o secretário da Região Metropolitana de Manaus, René Levy, que comanda a construção da ponte na cidade com recursos do governo federal financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e pelo governo do Amazonas.
O projeto é uma obra executada pelo Consórcio Rio Negro (Camargo Corrêa). Posteriormente, o orçamento da ponte teve um acréscimo de mais R$ 270 milhões – diz Renê Levy – em função da mudança de tecnologia das fundações, totalizando hoje R$ 884 milhões. Técnicos da USP (Universidade de São Paulo) constataram que houve um erro no cálculo das estruturas que seriam instaladas no solo do Rio Negro para sustentar a ponte.
“Houve um equívoco de parâmetro quanto ao material a ser utilizado nas fundações. Inicialmente, seriam utilizadas estacas pré-moldadas, mas os técnicos constataram que as variações do solo eram incompatíveis com essas estruturas. Então, passaram a ser usadas as estacas escavadas, o que onerou os gastos do empreendimento”, afirma o secretário, atribuindo as falhas iniciais no projeto a “um vazio tecnológico” existente na região.
De acordo com o secretário, a obra não vai interligar somente Manaus e Iranduba, mas também promoverá a integração de pessoas, além de permitir o desenvolvimento simultâneo de todos os municípios que fazem parte da Região Metropolitana da capital e de outros situados ao longo do Alto Solimões.
O secretário René Levy enfatiza ainda que a construção da ponte permitirá um desenvolvimento auto-sustentável no polo de turismo com a implantação e consolidação de áreas especialmente protegidas. “Efetivamente, haverá um crescimento do ecoturismo e outras atividades do setor ambientalmente sustentáveis”, explica ele.
Segundo René Levy, a ponte, que anteriormente estava projetada para ser inaugurada no final do ano passado, deve estar concluída até novembro deste ano. Ele aponta que o problema nas fundações e a enchente atípica de 2009 atrasaram o andamento da obra. O secretário também disse que, por enquanto, está descartada a cobrança de pedágio. “Não é tradição das rodovias estaduais cobrarem pedágio”, afirmou.
Impactos ambientais da ponte sobre o Rio Negro ainda dividem opiniões
Em: 6 de junho de 2010
Os olhos do mundo se voltam para o Amazonas com a construção da ponte sobre o Rio Negro, que vai ligar Manaus ao município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital)
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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