O pólo relojoeiro prosseguiu sua trajetória de recuperação no primeiro quadrimestre, mas continua perdendo a guerra contra os importados. As nove empresas do segmento instaladas no PIM (Pólo Industrial de Manaus) faturaram 35,91% a mais do que no ano passado: US$ 90.21 milhões (2008) contra US$ 66.38 milhões (2007), segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
O número de relógios de pulso e de bolso produzidos na ZFM (Zona Franca de Manaus) teve expansão de 33,72%, com 1,81 milhão (2008) contra 1,35 milhão (2007). Praticamente toda a produção foi comercializada no mercado nacional, sendo que apenas 2.899 relógios seguiram para o estrangeiro.
A desvalorização do dólar, no entanto, erodiu parte dos ganhos do pólo e voltou a favorecer a economia dos importados. Estes acumularam 5,86 milhões peças vendidas em todo o país no mesmo período, de acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Entre abril de 2007 e abril de 2008, a moeda americana desabou 23,85% –de R$ 2,18 (2007) para R$ 1,66 (2008)–, informou o Banco Central.
“O mercado deu uma ligeira aquecida a partir do segundo semestre de 2007, mas ainda não temos competitividade. Importamos os componentes, montamos e distribuímos pelo país, a um custo agregado altíssimo, entre frete, impostos, mão-de-obra e encargos. Quem importar o relógio montado diretamente da Ásia ou da Suíça, por exemplo, não terá embutido nossos custos”, lamentou o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Relojoaria Ourivesaria de Manaus e diretor da Dumont, Osmar Back.
“Se houvesse maior controle no fluxo de importações subfaturadas, poderíamos produzir e vender mais, além de gerar mais empregos. Tentamos fazer com que o governo federal estabeleça preços mínimos para a compra de relógios de pulso do exterior há dois anos, mas até agora não conseguimos nada”, emendou o diretor da Technos e presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro.
Indústrias acreditam em crescimento no semestre
Embora não apresentem números, os dirigentes informam que o mercado de relógios não registrou o mesmo vigor no encerramento do primeiro semestre, em função de sazonalidade, mas destacam que a indústria aguarda novo aquecimento partir de setembro, em função da proximidade das festas de fim-de-ano.
Para eles, a recuperação do segmento, que também produz cronômetros e cronógrafos, é fruto da tendência internacional que transformou o relógio de pulso em um item de moda, mas também foi impulsionada pelo aumento de renda e de crédito do brasileiro. A redução no preço final dos produtos –por conta do dólar mais fraco– também ajudou, apesar do aumento dos custos industriais –que são mensurados em reais.
Um sinal da recuperação vem do volume de investimentos, embora o número de empresas do segmento –que viu três de suas organizações fecharem as portas nos últimos anos– tenha estacionado em nove. O total aplicado pela indústria (US$ 75.16 milhões) nos quatro primeiros meses de 2008 é 11,41% superior ao que foi alocado em todo o ano passado (US$ 67.46 milhões), em que pese a desvalorização do dólar.
Reposição do estoque
“Em 2007, a indústria estava com estoque alto de matéria-prima e produtos acabados. Com o aquecimento, principalmente a partir do início do ano, houve a necessidade natural de reposição”, avaliou o vice- presidente do Sindicato das Indústrias de Relojoaria Ourivesaria de Manaus.
Na avaliação do presidente do Cieam, os empresários ainda estão esperando o sinal verde para investir. “Vivemos um momento especial, como aumento de inflação em função da escassez de alimentos, petróleo em alta e juros crescentes. Todo este conjunto, que tradicionalmente conduz a economia mundial, provoca cautela no investidor”, opinou.
Apesar da recuperação do segmento, seus números de mão-de-obra ainda são tímidos. A quantidade de empregados teve um aumento discreto (2,93%) no primeiro quadrimestre, de 1.365 (2007) para 1.405 (2







