Inadimplência ainda reflete período pré-crise, aponta ex-diretor do Banco Central

Em: 30 de março de 2009
O aumento da inadimplência no início deste ano ainda reflete o período anterior à crise financeira internacional. A avaliação é do economista Carlos de Freitas, ex-diretor do BC (Banco Central)
O aumento da inadimplência no início deste ano ainda reflete o período anterior à crise financeira internacional. A avaliação é do economista Carlos de Freitas, ex-diretor do BC (Banco Central)

O aumento da inadimplência no início deste ano ainda reflete o período anterior à crise financeira internacional. A avaliação é do economista Carlos de Freitas, ex-diretor do BC (Banco Central).
Segundo Freitas, houve “forte” expansão do crédito no período anterior à crise, o que levou pessoas e empresas a pegar dinheiro emprestado, sem ter condições para pagar. De acordo com o economista, depois do agravamento da crise financeira internacional, em meados de setembro, os bancos passaram a ser mais “seletivos para oferecer crédito”. Para ele, em maio a inadimplência deve diminuir.
Segundo dados do BC, divulgados na quinta-feira, a inadimplência, considerados atrasos superiores a 90 dias, cresceu mais para as empresas. De janeiro para fevereiro deste ano, no total, passou de 2% para 2,3%, a maior desde agosto de 2007 (2,4%). No caso do capital de giro, por exemplo, a taxa de inadimplência passou de 1,6% para 1,9% e o desconto de duplicadas, de 6,6% para 6,9%.
A inadimplência para as famílias aumentou de 8,2% para 8,3%, a maior desde maio de 2002 (8,4%). A maior alta foi de financiamentos para a compra de veículos, que passou de 4,6% para 4,8%. O aumento da inadimplência nesse segmento específico ocorre porque os consumidores estão optando mais pelo leasing, que não tem cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeira). Com isso, a carteira de financiamento tradicional vai ficando “velha” e aumenta a inadimplência.
Para a compra de outros bens, a taxa subiu de 13,8% para 14%. No caso do cheque especial (10,2%) e do crédito pessoal (5,7%) as taxas não foram alteradas de um mês para o outro.
De acordo com Freitas, as medidas do governo para estimular o crédito, como a que aumentou os limites do microcrédito, podem não ter efeitos imediatos, mas serão importantes no momento em que a economia “retomar seu compasso”. Mas, neste momento, na opinião do economista, ainda não há demanda para o crédito porque as pessoas “não têm negócios para fazer, nem perspectivas de ganhos”.
Quanto às taxas de juros cobradas nos financiamentos, que estão caindo a níveis anteriores à crise, Carlos de Freitas avalia que são um sinal de que o “momento mais grave do colapso está passando ou já passou” e os bancos começam a repassar a redução do spread (diferença entre quanto o banco paga para pegar dinheiro e quanto cobra do tomador de empréstimo) para os clientes. “Os bancos médios e pequenos estão começando a ter acesso a linhas de crédito aqui dentro e lá fora. Estão recuperando e a capacidade de renovar [empréstimos]”, disse ele.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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