Inadimplência alta entre os pequenos

Em: 22 de agosto de 2018
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As MPEs (micro e pequenas empresas) do Amazonas apresentam 1,2% em inadimplência, a nível nacional, segundo o Serasa Experian. O resultado se mantém pelo segundo ano consecutivo. No total, 5,174 milhões de microempresários estavam com dívidas atrasadas em junho. Uma alta de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com especialistas em economia e representantes do comércio, o cenário político indefinido, é o principal fator que figura esse reflexo.

Na avaliação do vice-presidente da Fecomercio-AM, Aderson Frota, os crescentes números são reflexos da instabilidade política em que o país vive. As causas que estão produzindo esse índice de inadimplência engessou a economia. Ele diz que os sinais do desemprego acelerou novamente, e isso significa perda de renda, diminuição de consumo. Aliado a isso tem o aspecto do difícil acesso ao crédito. A negativação do cliente também tem outro aspecto, como as taxas de juros altas do setor bancário e cartão de crédito com 300% de juros ao ano.

Para o vice-presidente, enquanto houver instabilidade política institucional, haverá indefinição. “Os investimentos não acontecem, quem deseja ampliar fica parado. Até que se defina o quadro político nacional, teremos essa insegurança. Quando houver definição, haverá recuperação. O cenário acalma e a economia melhora”, avaliou.

Ao analisar os resultados do levantamento, o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco Mourão Júnior, afirmou também que diantes das incertezas em relação às eleições no país elevam os altos índices de de endividamento e tornam as MPEs negativadas. Ele explica que o consumidor se sente inseguro, está com o pé no freio e esse comportamento encadeia, reflete principalmente nas MPEs, que não não possuem suporte de capital para aguentar a crise. “Elas acabam trabalhando com estoque mínimo, dificuldade de caixa, poucos colaboradores e isso é ruim para o patamar de concorrência”, destacou.

O economista prevê que embora o décimo terceiro estimule de certa forma a economia não será suficiente para modificar o cenário. “Só haverá um fôlego quando a eleição for definida. Alguns candidatos surgem com propostas bem interessantes para os micro e pequenos. Flexibilização ao crédito, contratação, facilidade para limpar o nome da lista de inadimplentes, são algumas propostas para o setor. Essas medidas com certeza impulsiona o consumo”, declarou.

Para Mourão os pagamento dos benefícios como o FGTS e o PIS/Pasep, pagos pelo atual governo, são cruciais para dar um estímulo e movimentar a economia. Afinal, “São 13 milhões de desempregados no país, um número significativo”, observou.

Para tentar minimizar a fase nada positiva, o economista orienta aos microempreendedores tentar reduzir os custos de acordo com os segmentos que administram. Buscar alternativas para tentar se manter no mercado, além de diversificar sempre. “Eles já possuem a visão de empreendedores, precisam colocar em prática para se adequarem a situação do mercado”, lembrou.

Números

O setor de serviços liderou a elevação dos índices com 46,5% seguido pelo comércio (44,5%) e a indústria (8,6%).

Região

No topo do ranking estadual de micro e pequenas empresas negativadas, São Paulo lidera, em junho deste ano, 1,7 milhão de micros e pequenas empresas inadimplentes, 1,3% superior a maio de 2018 (1,6 milhão).

As posições seguintes continuam ocupadas por Minas Gerais (11,0%) e Rio de Janeiro (8, 3%) o estado registrou ainda a maior alta de (13,6%) na inadimplência do segmento, na comparação com junho de 2017.

Em comparação a meses anteriores, os dados da Serasa Experian por região registraram crescimento. O Sudeste concentra a inadimplência (54,3%), o Nordeste (16,1%), Sul (15,8%), Centro Oeste (8,7%) e Norte (5,2%).

Na região Norte a maior parte das MPEs inadimplentes está no estado do Pará (1,9%) em seguida Amazonas, Rondônia, Tocantins, depois Acre, Amapá e Roraima.

Saiba mais

De acordo com o Sebrae-AM, até final de 2017 no Amazonas foram contabilizadas 39.100 MEs (microempresas). A expectativa de 2018 é que o Amazonas feche o mesmo dado com 40.878 MEs.

Durante o Refis do governo federal, os dados de adesão do Amazonas para o reajuste de dívidas foi foi 158 MEIs (Microempreendedores Individuais) aderiram.A Dívida total foi de R$ 344.462,28 consolidada para ser reajustada no Amazonas.

Segundo o Sebrae-AM, o Amazonas, em quesito de primeiro emprego, os pequenos negócios são os que mais geram oportunidades de primeiros empregos para trabalhadores na faixa dos 24 anos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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