A taxa de inadimplência das pessoas físicas e das empresas, que mede atrasos de pagamento superiores a 90 dias, subiu de 5,2% em julho para 5,3% em agosto deste ano, informou o Banco Central ontem. Foi o segundo aumento seguido nessa comparação.
Com isso, a inadimplência atingiu o patamar mais alto desde janeiro de 2010, quando estava em 5,5%. De janeiro a julho deste ano, a inadimplência geral subiu 0,8 ponto percentual – em dezembro do ano passado, estava em 4,5%, informou a autoridade monetária.
O Banco Central já alertou, na semana passada, que a crise financeira internacional pode gerar aumento do desemprego e queda da renda no Brasil, o que, por sua vez, poderia resultar em aumento da inadimplência das pessoas físicas, levando em conta “o crescente endividamento das famílias nos últimos anos”. Segundo a instituição, outro fator que pesa para o aumento da inadimplência foi o aumento dos juros realizado no primeiro semestre.
Pessoas físicas
A inadimplência somente das pessoas físicas, ainda segundo o BC, também subiu em agosto, para 6,7%, ante 6,6% das operações em julho deste ano. Com isso, chegou ao maior nível desde maio do ano passado (6,8%), de acordo com informações da autoridade monetária. No ano, a inadimplência das pessoas físicas subiu 1 ponto percentual, pois estava em 5,7% no fim do ano passado.
Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas subiu de 3,8% ao ano em julho para 3,9% em agosto. Trata-se do maior nível, porém, desde outubro de 2009, quando estava em 4%. Nos sete primeiros meses de 2011, a inadimplência das empresas avançou 0,4 ponto percentual, pois somou 3,5% em dezembro do ano passado.
Baixa renda
Os consumidores que recebem até dez salários mínimos estão mais cautelosos com as dívidas, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O endividamento das famílias registrou em setembro a quarta queda consecutiva, puxada por essa faixa de consumidores.
Dentro do grupo, 62,7% declararam possuir dívidas no mês de setembro, sobre 64,2% que estavam endividados em agosto.
“Você vê uma trajetória de queda no endividamento. Além de estarem mais cautelosos em relação ao futuro e, por isso, terem mais receio na contratação de novas dívidas, há desaceleração nas concessões de crédito. O mercado de crédito vem apresentando uma evolução mais modesta em relação ao ano passado, embora ainda bastante forte, em resposta ao aumento do custo do financiamento”, disse a economista Marianne Hanson, da CNC.
A especialista acrescentou que o patamar de endividamento atingiu um nível alto e, em razão disso, as pessoas também estariam pensando duas vezes antes de contratar novos empréstimos.







